

O ex-prefeito de Amargosa e candidato do PT a deputado estadual, Júlio Pinheiro, criticou ACM Neto após novas revelações envolvendo o ex-prefeito de Salvador e o Banco Master e afirmou que “as revelações de Vorcaro colocam ACM Neto diante de uma grave crise de credibilidade”. Segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (10), o banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que ACM Neto e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, teriam direito a 10% dos valores aportados no banco por institutos de previdência. A proposta aponta que os dois teriam atuado para viabilizar a captação de recursos de fundos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas, além da Cedae.
Para Júlio, as revelações levantam questionamentos que precisam ser respondidos por quem pretende governar a Bahia. “O povo baiano precisa saber exatamente quem são as pessoas que estão pedindo seu voto. Quando surgem denúncias tão graves, envolvendo a suposta intermediação de recursos de institutos de previdência e a previsão de comissões milionárias, não dá para tratar isso como algo normal da política. Um candidato envolvido em um escândalo dessa dimensão não pode simplesmente pedir confiança à população sem dar explicações convincentes”, afirmou.
A reportagem informa que, segundo Vorcaro, os aportes dos quatro institutos citados teriam chegado a R$ 3,62 bilhões, embora a proposta de delação mencione R$ 2 bilhões. O documento afirma que uma comissão de 10% teria gerado uma obrigação de R$ 200 milhões com ACM Neto e Rueda, mas não esclarece quanto teria sido efetivamente pago. Dados de quebra de sigilo bancário e fiscal também apontariam R$ 5,4 milhões recebidos, entre 2023 e 2025, por uma empresa de consultoria ligada a ACM Neto.
“Não estou fazendo condenação antecipada de ninguém. Estou dizendo que o eleitor tem o direito de cobrar explicações. Quem quer governar a Bahia precisa ter transparência, coerência e, acima de tudo, credibilidade. Não é razoável pedir o voto dos baianos enquanto pairam dúvidas dessa gravidade sobre relações com um banco e operações envolvendo recursos de institutos de previdência”, completou Júlio.