quarta, 09 de setembro de 2026
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PETRÓLEO SUPERA US$ 100 COM ESCALADA DE ATAQUES ENTRE ESTADOS UNIDOS E IRÃ

João - 09/09/2026 08:53

O petróleo Brent ultrapassou US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho, impulsionado pela intensificação dos ataques entre Estados Unidos e Irã e pela retomada das compras de petróleo pela China, maior importadora da commodity no mundo.

Os contratos futuros do Brent, referência para os preços internacionais do petróleo, chegaram a subir 2,3% em Londres nesta manhã, antes de reduzir parte dos ganhos.

A nova alta ocorre após uma escalada do conflito entre Washington e Teerã. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos, as forças americanas destruíram cinco petroleiros iranianos em resposta a uma tentativa de atingir um navio de guerra da Marinha dos EUA com mísseis balísticos durante a noite.

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O conflito também vem afetando o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo. Milhões de barris continuam passando diariamente pela região, mas grande parte dos navios está navegando com os sistemas de identificação desligados, aumentando a preocupação com novos ataques.

Antes do início da guerra entre EUA e Irã, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo passava pelo Estreito de Ormuz a caminho dos mercados internacionais.

China volta a comprar petróleo

Além dos riscos relacionados ao conflito, o preço do petróleo também ganhou força com a retomada das compras chinesas.

A China havia reduzido suas aquisições no início da guerra, movimento que ajudou a limitar a alta dos preços. A retomada das compras neste mês, porém, trouxe novo impulso ao mercado e fez alguns dos principais indicadores de preços atingirem os níveis mais altos em semanas.

O Brent acumula alta superior a 60% neste ano. Com exceção de uma breve alta em julho, no entanto, os contratos futuros haviam permanecido abaixo de US$ 100 por mais de três meses, período em que os produtores do Golfo Pérsico conseguiram aumentar suas exportações.

Estoques de petróleo diminuem

A continuidade das dificuldades no transporte também tem reduzido os estoques globais de petróleo. Segundo a empresa de análise Vortexa, a quantidade de petróleo transportada em navios no mar caiu em mais de 150 milhões de barris desde meados de julho.

Mesmo com navios continuando a atravessar o Estreito de Ormuz, as embarcações permanecem sob risco de novos ataques. Um funcionário da Kuwait Petroleum Corp. afirmou nesta quarta-feira que os navios da empresa estão passando pela região “sempre que é seguro”.

O cenário aumenta a preocupação com a oferta de petróleo justamente em um momento de recuperação da demanda.

Combustíveis sobem ainda mais

Os derivados de petróleo, como o diesel, tiveram uma alta ainda mais forte. Isso ocorre porque o conflito no Oriente Médio se espalhou para o Mar Vermelho, próximo à Arábia Saudita, enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia continua afetando o mercado de energia.

Os dois conflitos podem aumentar os custos de combustíveis e pressionar novamente a inflação em diferentes países, dificultando o trabalho dos bancos centrais no controle dos preços.

“O caminho de menor resistência é uma alta forte e constante à medida que a guerra entra em seu sétimo mês”, afirmou Darrell Fletcher, diretor-executivo de commodities da Bannockburn Capital Markets.

Segundo ele, os fundamentos dos derivados de petróleo continuam favoráveis à alta, diante da deterioração dos estoques e das reservas globais.

Ataques também atingem a Arábia Saudita

O grupo rebelde Houthi, do Iêmen, também continua atacando instalações de energia na Arábia Saudita.

Nas últimas semanas, os Houthis realizaram uma série de ataques contra a refinaria de Jazan, que tem capacidade para processar 400 mil barris de petróleo por dia. Os ataques ameaçam uma oferta de combustíveis que já está mais restrita.

“A preocupação com uma interrupção contínua e prejudicial do fornecimento, devido à escalada do conflito entre EUA e Irã, aumentou significativamente”, disse Tamas Varga, analista da corretora PVM. Segundo ele, a inflação pode reduzir a demanda por petróleo, mas, neste momento, a oferta não consegue acompanhar a demanda.

 

Foto: Getty Images

 

 

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