quarta, 09 de setembro de 2026
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LARISSA LUZ E PAULO ROGÉRIO NUNES ABREM PROGRAMAÇÃO DA 6ª FESTA LITERÁRIA ARTE E IDENTIDADE

João - 09/09/2026 13:35

Voltar ao passado também pode ser uma forma de avançar. Nos dias 16 a 18 de setembro, a 6ª Festa Literária Arte e Identidade mostra como a ancestralidade, as memórias e os saberes construídos por gerações podem servir de ponto de partida para imaginar novos futuros. Ao longo de três dias, literatura, música, dança, moda, teatro, cinema, artes visuais e tecnologia se encontram para celebrar diferentes maneiras de criação, expressão e conhecimento em torno do tema “O Futuro é Ancestral – Arte e Literatura Afrofuturista”, no Pelourinho.

A programação começa na tarde da quarta-feira (16), a partir das 13h30, com exposições, intervenções artísticas, atividades lúdicas e ações culturais espalhadas por quatro espaços principais e equipamentos parceiros. Às 15h, a abertura oficial ganha destaque com a mesa “Afrofuturismo: O futuro é Ancestral”, no Espaço Juventudes (Largo Quincas Berro D’Água), que recebe a multiartista baiana Larissa Luz e o publicitário, empreendedor e consultor em inovação e diversidade Paulo Rogério Nunes, com mediação da educadora, pesquisadora e Mestra em Estudo de Linguagens Lindinalva Barbosa. Juntos, eles irão discutir o afrofuturismo e as possibilidades de construir o futuro a partir das referências ancestrais.

Cantora, atriz e apresentadora, Larissa Luz participará como palestrante, trazendo para o debate sua trajetória na música, no teatro, no cinema e na televisão, marcada pelo protagonismo negro e pelo empoderamento feminino. Ao lado dela, Paulo Rogério Nunes acrescenta à conversa sua experiência como cofundador da Vale do Dendê e da AFRO.TV, autor de livros sobre futuro e inovação e idealizador do Festival Afrofuturismo. Reconhecido internacionalmente, foi eleito um dos afrodescendentes mais influentes do mundo pela MIPAD e um dos 100 inovadores fora do Vale do Silício pela Rest of World, além de ter sido o único brasileiro convidado a palestrar no primeiro evento internacional da Fundação Obama, em Chicago.

Na sua visão, pensar o futuro também significa ampliar as possibilidades de quem pode imaginar e produzir esses cenários. “Muitas pessoas falam de futuro como algo fatalista, desastroso para a humanidade, e a gente tem criado conversas e literatura, seja ficção, seja na área de tecnologia, voltadas para a construção de cenários, mostrando que o futuro é algo em disputa. Ele pode ser tanto distópico quanto utópico. Cabe a nós que estamos neste momento, no presente, definirmos as bases para esse futuro. Cada vez mais estamos percebendo que a volta ao passado, a ancestralidade, é necessária para a construção do futuro, então as matrizes afro-indígenas são super importantes para nos ensinar sobre como podemos deixar esse futuro um pouco mais justo, colaborativo e inclusivo”, afirma.

Escrever é sobre imaginar – O público infantil terá um espaço reservado para explorar a imaginação e transformar a palavra falada em afirmação de identidade e protagonismo. Na quinta-feira (17), às 10h50, no Espaço Infantil Brilho (Largo Tereza Batista), o “Sarau da Infância” será conduzido por Duda Santhana, de 11 anos, declamadora, atriz e modelo que vem se destacando em saraus e festas literárias na Bahia. A intervenção artística propõe uma dinâmica interativa com poesias autorais e referências da cultura hip-hop e do slam, incentivando as crianças a escrever, declamar e compartilhar suas próprias criações no microfone.

Para Duda Santhana, expoente da nova geração de artistas periféricos, a palavra falada pode ser uma ferramenta de expressão, identidade e resistência. “A poesia é um espaço para você contar sobre a sua história e memória. É a partir desse momento que as pessoas escutam e sabem da sua identidade e sua resistência. A batalha de rima é o improviso, essa coisa de fazer na hora, pegando referências de pessoas que fizeram parte da nossa história, da cultura preta. A poesia também pode ser um espaço lúdico, onde você pode fantasiar tudo o que deseja e usar a imaginação, afinal, a escrita serve para isso”, comenta.

O corpo também fala – Corpo, memória, identidade e criação se encontram em um bate-papo sobre como dança, moda e estética podem recuperar legados ancestrais e, ao mesmo tempo, criar novas imagens sobre as existências negras. Para falar sobre essas possibilidades, ninguém melhor do que artistas e criadores que fazem dessas linguagens parte de quem são. Na roda de conversa “Corporeidades ancestrais e afrofuturos estéticos: Dança, Moda e Corpo”, na sexta-feira (18), às 14h, no Espaço Juventudes (Largo Quincas Berro D’Água), Tatiana Campêlo, Linda Rosa Rodrigues, Rey Vilas Boas e Dete Lima compartilham diferentes perspectivas sobre o tema, com mediação da escritora, poeta, educadora, coordenadora pedagógica e curadora Karla Daniella Brito.

Bailarina, coreógrafa, pesquisadora e diretora da Campêlo Cia de Dança, Tatiana Campêlo tem sua trajetória marcada pelas danças de matrizes africanas e afro-brasileiras e pela pesquisa sobre corpo, memória e identidade. Linda Rosa Rodrigues, com trajetória no Olodum desde a infância, cria os conceitos e figurinos do Bloco Olodum Mirim, em um trabalho que une moda, história e identidade negra. Rey Vilas Boas, fundador de uma marca de moda sustentável, transforma resíduos têxteis em criações autorais e aposta na moda circular e no consumo consciente. Já Dete Lima, estilista e artista visual ligada ao Ilê Aiyê e ao Terreiro Acè Jitolu, tem na estética afro-brasileira e na espiritualidade as bases de sua produção, sendo a principal responsável pela identidade estética e pela concepção dos figurinos do bloco.

O estilista Rey Vilas Boas, fundador da própria marca sustentável que leva seu nome, conta que encontrou na moda um caminho para se sentir pertencente, expressar sua identidade e fortalecer sua autoestima. Para ele, o processo de criação também está relacionado à capacidade de enxergar novos sentidos tanto nos materiais quanto nas experiências que carrega: “Ressignificar um tecido é dar uma nova possibilidade a algo que seria descartado. E isso também pode acontecer com nossas ideias. Podemos mudar aquilo que pensamos sobre nós mesmos. Podemos transformar nossas histórias em potência. Você não precisa ser definido pelo lugar onde começou”.

“Precisamos questionar os padrões de beleza que recebemos, corpos pretos são diversos. Cabelos, peles, rostos, corpos e estilos também são formas de expressão. Não precisamos caber em uma única caixa estética. Roupa também conta histórias, a moda pode falar de território, memória, identidade e ancestralidade. Eu deixei de querer apenas consumir referências e passei a querer criar referências. Eu passei muito tempo procurando referências para acreditar que eu podia. Hoje, quero ser referência para que outros meninos e meninas entendam que também podem”, ressalta Rey Vilas Boas.

Circuito de cultura e memória – Os visitantes poderão circular por quatro espaços fixos no Pelourinho, com programação simultânea, cada um dedicado a diferentes públicos: o Espaço Infantil Brilho, no Largo Tereza Batista; o Espaço Juventudes, no Largo Quincas Berro D’Água; o Espaço Empoderamento, na Casa Vale do Dendê; e o Espaço Identidades, no Museu Eugênio Teixeira Leal.

A programação se estende ainda a equipamentos culturais parceiros, como Casa do Carnaval, Casa do Idoso, Casa do Olodum, Escola Olodum, Museu de Energia, Museu Solar Ferrão, SEPROMI – Unidade Móvel do Centro de Referência Nelson Mandela e Projeto Axé – Axébuzu, ampliando as possibilidades de contato com diversas manifestações da cultura e da memória afro-brasileira.

As atrações foram pensadas para reacender os sonhos de crianças e jovens negros, indígenas e afro-indígenas, oferecendo um espaço de múltiplas aprendizagens, fruição e empoderamento. Ao colocar em circulação vários saberes e meios de expressão, o evento cria um circuito que contribui para fortalecer a representatividade, expandir horizontes e criar possibilidades para que esses públicos ocupem espaços de liberdade, criação e protagonismo.

A Festa Literária Arte e Identidade tem apoio financeiro do Estado da Bahia, através do Fundo de Cultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda.

SERVIÇO

Festa Literária Arte e Identidade – 6ª edição

 

Mesa: Conferência de Abertura “Afrofuturismo: O futuro é Ancestral” – Com Larissa Luz, Paulo Rogério Nunes e mediação por Lindinalva Barbosa

Data: 16 de setembro

Horário: 15h

Local:  Espaço Juventudes, no Largo Quincas Berro D’Água

 

Mesa: “Sarau da Infância” – Com Duda Santhana

Data: 17 de setembro

Horário: 10h50

Local:  Espaço Infantil Brilho, no Largo Tereza Batista

 

Mesa: “Corporeidades ancestrais e afrofuturos estéticos: Dança, Moda e Corpo” – Com Tatiana Campêlo, Linda Rosa Rodrigues, Rey Vilas Boas e Dete Lima e mediação por Karla Daniella Brito

Data: 18 de setembro

Horário: 14h

Local:  Espaço Juventudes, no Largo Quincas Berro D’Água

 

Mais informações: @arteeidentidadeoficial

Site: https://sites.google.com/view/arteeidentidade/home

Entrada Gratuita

(Foto: Caio Lírio) | Paulo Rogério Nunes (Foto: Júnior Assis)

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