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7 DE SETEMBRO EXPÕE DISPUTA POLITICA ENTRE LULA E OPOSIÇÃO EM MEIO À CRISE NO SFT

VICTOR OLIVEIRA - 07/09/2026 18:45

As comemorações do 7 de Setembro deste ano foram marcadas por discursos distintos sobre soberania, democracia e os rumos do país. A pouco menos de um mês das eleições, atos realizados em diferentes cidades também incorporaram críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e referências à crise envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso Banco Master.

Em Brasília, o desfile oficial na Esplanada dos Ministérios adotou um tom mais institucional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acompanhou a cerimônia ao lado do presidente do STF, Edson Fachin, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Com o tema “Soberania: a força que une o Brasil”, a cerimônia evitou discursos de caráter partidário. Após o evento, Lula afirmou que o país escolheu ser soberano e criticou aqueles que, segundo ele, defendem interesses estrangeiros enquanto se apresentam como patriotas.

A ausência dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça chamou atenção. Os dois estão no centro de uma disputa institucional relacionada ao caso Banco Master, que levou Fachin a concentrar os questionamentos apresentados pelos magistrados.

Em São Paulo, o tom foi diferente. O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, participou de uma manifestação na Avenida Paulista e direcionou parte de seu discurso contra Lula e Moraes.

Flávio pediu a saída do presidente da República e do ministro do STF e voltou a classificar como uma “farsa” o julgamento relacionado aos ataques de 8 de Janeiro. O senador também acusou o governo de utilizar instituições como STF, Procuradoria-Geral da República e Polícia Federal para perseguir o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados.

Apesar das críticas, o discurso adotou uma linha considerada menos agressiva em relação ao Supremo, com Flávio afirmando que a Corte não pode ser confundida com a atuação de um único ministro.

Outros nomes da oposição também aproveitaram o feriado para apresentar suas posições. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) realizou uma manifestação pela manhã na Paulista e fez críticas a ministros do STF em meio às discussões sobre o caso Master.

Na capital federal, manifestações paralelas ao desfile oficial reuniram apoiadores da oposição. Na Funarte, grupos defenderam pautas como a saída de Lula e Moraes.

Entre as reivindicações também apareceu o fim da escala 6×1, tema que tramita no Congresso Nacional e ganhou espaço entre os manifestantes durante o feriado.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, acompanharam o desfile oficial. Rodrigues aparece citado em mensagens relacionadas ao caso Banco Master, o que aumentou a atenção sobre sua presença na cerimônia.

O feriado também serviu de palco para candidatos que tentam ocupar espaços distintos na disputa presidencial.

Renan Santos (Missão) participou de uma manifestação no Ibirapuera, em São Paulo, onde apresentou um manifesto com críticas a integrantes do STF, à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. O candidato também fez ataques políticos a adversários.

No Rio de Janeiro, Augusto Cury (Avante) participou de um ato na orla de Copacabana. Sob chuva, o candidato buscou se apresentar como uma alternativa à polarização entre esquerda e direita e afirmou não apoiar nenhum ministro do Supremo.

Já Ronaldo Caiado (PSD) participou do desfile cívico em Goiânia e defendeu uma agenda voltada à segurança pública e ao combate às organizações criminosas.

Para o governo federal, a celebração deste ano teve a soberania como principal eixo político. Lula já havia abordado o tema em pronunciamento transmitido em cadeia nacional na véspera do feriado.

O presidente defendeu a autonomia do Brasil para definir suas relações comerciais e políticas e afirmou que o país não deve aceitar interferências externas em suas decisões.

A escolha do tema ganhou relevância diante das recentes tensões comerciais e diplomáticas envolvendo o Brasil e outras potências.

Assim, enquanto o desfile oficial procurou preservar o caráter institucional da data, manifestações políticas em outras partes do país transformaram o feriado em mais um momento de disputa narrativa entre governo e oposição.

Com as eleições se aproximando, o 7 de Setembro terminou funcionando não apenas como uma celebração da Independência, mas também como uma demonstração das diferentes visões sobre soberania, STF, democracia e os rumos políticos do Brasil.

Foto: Pedro Ladeira e Bruno Santos/Folhapress

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