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PROJETO MARES CONCLUI CAPACITAÇÃO COM IMPLANTAÇÃO DE CORAIS NATIVOS NA ILHA DE ITAPARICA

João - 05/09/2026 09:00

O Projeto Mares iniciou o transplante de colônias de corais para a Área de Proteção Ambiental Recife das Pinaúnas, na região da Praia do Duro, em Mar Grande, na Ilha de Itaparica, durante a atividade que encerrou, no final de agosto, o Curso Técnico de Restauração de Corais. Nesta primeira etapa, os alunos implantaram 30 colônias de Millepora alcicornis, dando início a uma das frentes de restauração previstas pelo projeto, que tem como meta chegar, até fevereiro de 2030, a cinco mil novas colônias da espécie, a serem instaladas em oito pontos posicionados ao longo de 1,5 km² (área total de atuação do projeto), sendo quatro de plantio e quatro de controle.

Com 112 horas de formação teórica e prática, o curso foi iniciado em maio e abordou temas como ecologia e conservação dos recifes, mudanças climáticas, restauração ativa, monitoramento ambiental, mergulho, educação ambiental, áreas marinhas protegidas e turismo sustentável, combinando o conteúdo teórico com experiências em campo nas diferentes etapas da restauração.

“A atividade marcou a fase final do curso, a última aula prática, quando os próprios alunos fizeram o plantio. Depois de aprenderem a teoria e passarem pela prática de confecção das sementeiras e dos berçários, eles fecharam a formação com a manutenção, a limpeza e a fixação das colônias no recife”, explica o biólogo Ricardo Miranda, coordenador científico do Projeto Mares.

A partir de agora, os participantes poderão atuar como monitores nas ações de restauração do Mares, incorporando à execução das atividades pessoas capacitadas para atuar nas diferentes etapas do trabalho desenvolvido no Recife das Pinaúnas. De acordo com Ricardo Miranda, no momento da implantação as colônias estavam saudáveis e serão acompanhadas pela equipe científica que avaliará dentre outros fatores a sobrevivência, fixação, crescimento e vitalidade, incluindo possíveis ocorrências de branqueamento, mortalidade e doenças. Segundo ele, a análise também permitirá observar a complexidade estrutural dos corais e a presença de organismos associados, entre eles peixes e pequenos invertebrados móveis, como caranguejos e poliquetas.

“À medida que os corais crescem e formam novos ramos, aumentam também os espaços disponíveis para abrigo e habitat de outros organismos. Por meio de registros em vídeo e fotografia e de análises de fotogrametria, conseguimos transformar essa complexidade estrutural em dados e acompanhar as mudanças ao longo do tempo. A expectativa é que as colônias sobrevivam, se fixem, cresçam e permaneçam saudáveis, favorecendo também a ocorrência de espécies importantes para a saúde dos recifes e para atividades como a pesca”, afirma Miranda.

Formação alia teoria e prática

Na avaliação realizada após o curso, os participantes foram unânimes em afirmar que passaram a compreender melhor a importância dos recifes de corais e manifestaram intenção de aplicar os conhecimentos adquiridos, enquanto todos atribuíram nota 10 ao responder se recomendariam a formação a outra pessoa. As atividades práticas, a restauração de corais e a montagem e manutenção dos berçários estiveram entre as experiências apontadas como mais marcantes.

Moradora de Vera Cruz e engenheira de produção, Ainoã Souza conta que procurou a capacitação pela possibilidade de viver novas experiências e ampliar sua trajetória profissional e pessoal. “Todas as minhas expectativas foram superadas. Pensei que seria apenas um curso, mas ele me trouxe uma nova visão de mundo, não só sobre os ecossistemas marinhos, mas também sobre conexão com as pessoas e troca de vivências”, afirma.

Para a ecóloga Evelyn Palhano, moradora de Barra Grande, em Vera Cruz, a experiência prática e o contato direto com o ambiente marinho estiveram entre os principais ganhos. “O curso superou minhas expectativas e me proporcionou novos conhecimentos sobre os recifes e sobre a Ilha de Itaparica, além de me aproximar mais da comunidade por meio da troca de experiências com os outros participantes”, relata.

A formação foi conduzida pela equipe multidisciplinar da PRÓ-MAR, com participação de profissionais convidados de outras instituições de pesquisa e coordenação científica do biólogo Ricardo Miranda e do supervisor de mergulho e instrutor Rodrigo Maia Nogueira, integrando as ações do Projeto Mares voltadas à formação de pessoas e à restauração dos ambientes recifais da Baía de Todos os Santos.

O Projeto Mares é uma iniciativa da ONG Socioambientalista PRÓ-MAR, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

Crédito: Projeto Mares

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