

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (4) que deixou claro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o Brasil não aceitará qualquer tentativa de interferência estrangeira nas eleições de outubro. A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte, no Ceará.
Segundo Lula, o tema foi tratado durante a conversa que os dois presidentes tiveram por telefone no fim de agosto. O diálogo durou cerca de 1h20 e ocorreu após um pedido do chefe do Executivo brasileiro para falar com Trump.
“Se tiver, vai perder. Eu disse para o Trump isso. Nós não aceitamos ingerência de ninguém nas eleições. E se entrar, vai perder”, declarou Lula ao ser questionado sobre uma possível interferência norte-americana no processo eleitoral brasileiro.
De acordo com o Palácio do Planalto, a conversa entre os presidentes ocorreu em tom amistoso e cordial. Durante o telefonema, Trump perguntou a Lula sobre as eleições brasileiras. Fontes da diplomacia brasileira informaram que o presidente respondeu que o processo eleitoral segue de maneira tranquila e confiável.
Ainda segundo as informações divulgadas sobre a conversa, Trump não questionou o uso das urnas eletrônicas nem apresentou suspeitas em relação ao sistema eleitoral do Brasil.
Na entrevista, Lula também afirmou que mantém uma relação positiva com Trump e comentou os efeitos das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Para o presidente, apesar da queda nas negociações com os norte-americanos, o Brasil conseguiu ampliar suas relações comerciais com outros países.
Lula afirmou que as exportações brasileiras cresceram em 17 países e defendeu a busca por novos mercados diante das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.
“Essa taxação do Trump fez com que a relação comercial caísse, mas crescemos em 17 países. Todos os países que visitei cresceram mais de 10%. Se os EUA não quiserem comprar da gente, vou ficar chorando, resmungando? Não, vou procurar quem quer comprar”, disse.
O presidente também recorreu a uma lembrança da infância para explicar sua estratégia diante das dificuldades comerciais. Segundo ele, o Brasil deve procurar novos parceiros quando um mercado deixa de comprar seus produtos.
Ao reforçar a necessidade de ampliar as relações comerciais, Lula afirmou que o país precisa ser respeitado internacionalmente e voltou a destacar que considera boa sua relação com o presidente norte-americano.
Foto: Ricardo Stuckert



