sexta, 04 de setembro de 2026
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DA LOJA FÍSICA AO CELULAR: A VELOCIDADE DAS MUDANÇAS DESAFIA AS EMPRESAS

João - 04/09/2026 05:00 - Atualizado 04/09/2026

O consumidor está mudando em ritmo acelerado, impulsionado pela digitalização, novas tecnologias e novos hábitos de consumo. No setor financeiro, 83% das transações bancárias realizadas no Brasil em 2025 ocorreram por canais digitais. Foram 240,8 bilhões de operações, sendo 78% pelo celular, segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026.

Outro exemplo é o mercado de medicamentos para obesidade. Em seu primeiro ano no Brasil, o Mounjaro movimentou R$ 13,54 bilhões em vendas e, segundo a Eli Lilly, já havia impactado quase 3 milhões de pacientes no país, de acordo com dados divulgados pela Exame.

Para a gestora e palestrante Luciana Buck, mudanças dessa velocidade colocam uma questão para as empresas: como manter o negócio funcionando hoje sem deixar de prepará-lo para o mercado de amanhã?

É a partir dessa questão que ela apresenta a ambidestria empresarial, conceito da administração que trata da capacidade de manter a operação atual enquanto se dedica tempo, pessoas e recursos à inovação. Em empresas maiores, isso pode envolver equipes específicas. Nos negócios menores, pode significar dividir o tempo dos próprios gestores e funcionários entre a operação e a busca por novas soluções.

“Uma empresa precisa cuidar do negócio de hoje sem deixar de construir o negócio de amanhã. Se todo o esforço está concentrado apenas em sobreviver ao presente, fica mais difícil perceber a próxima mudança”, afirma Luciana.

A discussão ocorre em um ambiente de pressão sobre os negócios. Segundo o Monitor RGF-Bizdoc, o estoque de empresas em recuperação judicial chegou a 6.382 em 30 de junho de 2026, na série revisada com base em dados da Receita Federal. O número representa alta de 6,5% no primeiro semestre e de 22% em 12 meses.

Para Luciana, esse cenário também evidencia uma contradição que ela define como “esquizofrenia empresarial”: empresas precisam acompanhar rapidamente o comportamento do consumidor, testar novas soluções e inovar, enquanto lidam com regras, processos, licenças e obrigações que podem consumir tempo e recursos.

Dados históricos do Banco Mundial mostram que empresas brasileiras chegavam a gastar entre 1.483 e 1.501 horas por ano para preparar, declarar e pagar impostos. O indicador pertence ao antigo Doing Business, cuja publicação foi descontinuada em 2021. (World Bank)

A proposta apresentada por Luciana envolve simplificação tributária, modernização dos processos de licenciamento e maior previsibilidade regulatória. A ideia, segundo ela, é liberar capacidade de gestão para que as empresas possam manter suas operações, preservar empregos e encontrar espaço para inovar.“Desburocratizar também é liberar capacidade. A empresa precisa ter uma mão no presente e outra no futuro”, resume.

A discussão integra as propostas de Luciana Buck, candidata a deputada federal pela Bahia pelo NOVO nas eleições de 2026. O registro de sua candidatura consta como deferido na base eleitoral consultada.

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