quarta, 09 de setembro de 2026
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VORCARO CLASSIFICOU CONTRATO COM ESCRITÓRIO DE ESPOSA DE MORAES COMO O “MAIS IMPORTANTE” DO BANCO MASTER

VICTOR OLIVEIRA - 01/09/2026 14:54 - Atualizado 01/09/2026

Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, mostram que o banqueiro tratava os pagamentos ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia como uma prioridade e cobrava funcionários para evitar atrasos.

Os diálogos foram encontrados pela Polícia Federal durante a extração de dados de um dos celulares de Vorcaro e constam em um relatório tornado público nesta terça-feira (1º), após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

O escritório é ligado à advogada Viviani Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o documento da PF, as primeiras tratativas registradas sobre os pagamentos ocorreram em fevereiro de 2024.

No dia 8 daquele mês, Vorcaro conversou com o cunhado, Fabiano Zettel, sobre a data prevista para o primeiro pagamento relacionado ao contrato. Na mesma data, o banqueiro enviou um comprovante de transferência no valor de R$ 3,4 milhões para o escritório.

Cerca de um mês depois, em 15 de março, o assunto voltou a aparecer nas mensagens. Dessa vez, a cobrança partiu de Fabio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro (PL). Conforme o relatório da PF, Faria teria sido responsável pelo primeiro contato entre Alexandre de Moraes e Vorcaro.

Na conversa, Faria escreveu a Vorcaro que “o careca não pode atrasar”. Depois da mensagem, o fundador do Master procurou Angelo Silva, apontado como responsável pelos pagamentos dentro do banco, e demonstrou irritação com o fato de o pagamento não ter sido realizado.

Vorcaro classificou o contrato como o “mais importante” que o banco tinha e afirmou que havia pedido para que não houvesse falhas no pagamento. Em seguida, também acionou uma funcionária identificada em seu celular como “Romy Banco Master”.

A ela, o banqueiro pediu que o pagamento ao escritório não atrasasse e que fosse incluído em seu controle para acompanhamento mensal. Segundo as mensagens reunidas pela PF, Vorcaro orientou ainda que o pagamento fosse feito mesmo sem a apresentação de nota fiscal.

A funcionária informou que estava providenciando a operação. Na sequência, Vorcaro reforçou a necessidade de acompanhar os pagamentos todos os meses. Angelo Silva também voltou a tratar do assunto e informou que faria o pagamento antecipadamente, com a nota fiscal sendo obtida posteriormente.

Mais de um ano depois, em 1º de abril de 2025, Vorcaro retomou a questão do contrato em conversa com Angelo Silva. O banqueiro perguntou onde estava o documento e demonstrou preocupação sobre quem poderia ter acesso ao conteúdo.

Na sequência, pediu que o contrato não ficasse disponível para outras pessoas. A orientação, segundo o relatório, foi para que Silva pegasse o documento e impedisse o acesso de terceiros.

As mensagens voltaram a registrar o assunto em 1º de outubro de 2025. Na ocasião, Alberto Felix, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master, informou Vorcaro sobre a realização de um pagamento ao escritório.

O banqueiro questionou se a transferência havia sido feita via Pix. Ao receber a confirmação de que sim, respondeu que não considerava a modalidade adequada.

Os diálogos integram o material analisado pela Polícia Federal e registram a forma como Vorcaro acompanhava os pagamentos e o acesso ao contrato. As mensagens, isoladamente, não estabelecem eventual irregularidade na relação contratual ou nos serviços prestados pelo escritório.

Foto: Antonio Augusto/TSE

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