

Uma enchente repentina atingiu, na manhã desta quarta-feira (26), a região do Himalaia próxima à fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, provocando destruição de grandes proporções e deixando mortos, feridos e centenas de pessoas desaparecidas. O desastre atingiu principalmente o distrito de Rasuwa, no Nepal, além da região de Gyirong, no lado tibetano. Como as operações de resgate ainda estão em andamento, os números de vítimas seguem sendo atualizados.
Segundo o balanço mais recente divulgado por autoridades nepalesas, pelo menos 31 pessoas morreram e outras 93 ficaram feridas no país. O Conselho de Turismo do Nepal informou ainda que 384 viajantes foram inicialmente registrados como desaparecidos nas áreas afetadas. Desse total, 291 são estrangeiros e 93 são nepaleses. A lista ainda está sendo conferida pelas autoridades, e o número pode mudar.
Entre os estrangeiros desaparecidos estão 142 indianos, 17 malaios, 12 britânicos, quatro sul-africanos, três americanos, um australiano e um holandês. Também há pessoas de nacionalidade ainda não identificada na relação preliminar. Muitos dos desaparecidos estavam na região em viagens turísticas ou peregrinações com destino ao monte Kailash, no Tibete.
A tragédia começou após uma enorme quantidade de lama e rochas atingir o curso de um rio na região fronteiriça. Uma das principais hipóteses investigadas é que um terremoto de magnitude 4,4 tenha provocado uma avalanche de gelo e rochas, bloqueando o rio Lhende Khola. A água acumulada teria posteriormente avançado com grande força pelo vale, provocando a enxurrada. As autoridades ainda investigam as causas exatas do desastre.
O volume de água atingiu comunidades, casas, estradas, pontes, veículos e instalações de geração de energia. No Nepal, áreas próximas aos rios Bhote Koshi e Trishuli foram especialmente afetadas. Imagens divulgadas pelas autoridades mostram a força da correnteza carregando estruturas e grandes quantidades de lama e detritos.
Do outro lado da fronteira, no Tibete, um deslizamento de terra atingiu o porto de Gyirong, importante ponto de passagem entre China e Nepal. O local teve estradas, sistemas de comunicação e fornecimento de energia afetados. Autoridades chinesas relataram um número elevado de vítimas e pessoas desaparecidas, mas ainda não havia um balanço definitivo separado para a região.
A situação também provocou impactos no fornecimento de energia do Nepal. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, estruturas relacionadas à geração hidrelétrica foram danificadas, afetando cerca de 430 megawatts de capacidade. A destruição de estradas e pontes também dificultou o deslocamento das equipes de emergência e o acesso às comunidades isoladas.
As operações de busca e salvamento foram mobilizadas pelo governo nepalês, com participação do Exército e da polícia. Helicópteros foram enviados para auxiliar no resgate e na retirada de pessoas de áreas de risco, mas as condições climáticas, o nível elevado dos rios e a destruição da infraestrutura têm dificultado os trabalhos. Até o momento, dezenas de pessoas já foram resgatadas.
A China também iniciou uma grande operação de emergência na região tibetana. O presidente Xi Jinping determinou esforços de busca e resgate em larga escala, enquanto equipes foram deslocadas para o entorno do porto de Gyirong. Índia e outros países também acompanham a situação devido ao grande número de estrangeiros entre os desaparecidos.
Outro fator de preocupação é a possibilidade de uma nova onda de inundação. Especialistas e autoridades temem que um bloqueio ainda existente no curso do rio possa se romper e liberar uma nova quantidade de água, aumentando os riscos para comunidades localizadas rio abaixo. Por isso, moradores de áreas vulneráveis estão sendo orientados a deixar regiões próximas aos rios.
A tragédia ocorre durante o período de monções, quando chuvas intensas atingem regularmente o Nepal e outras áreas do Sul da Ásia. Especialistas também apontam que o Himalaia está cada vez mais vulnerável a eventos extremos, com o derretimento acelerado de geleiras e alterações climáticas aumentando os riscos de enchentes, avalanches e deslizamentos na região.
Com os trabalhos de resgate ainda em andamento e várias localidades isoladas, as autoridades alertam que o número de mortos e desaparecidos pode aumentar. A prioridade, neste momento, é localizar os desaparecidos, retirar moradores de áreas de risco e restabelecer os acessos destruídos pela força das águas.
foto= Navesh Chitrakar/Reuters



