

Em depoimento à Polícia Federal (PF), o empresário Léo Serrano, da consultoria de serviços de luxo SL Consulting, disse que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro gastou US$ 38 mil com o serviço de concierge para o ex-diretor do Banco Central (BC) Paulo Sérgio Neves de Souza.
Segundo a coluna de Ramiro Brites, Metrópoles, esse foi o único tema da oitiva de Serrano na sede da PF em São Paulo, que ocorreu na manhã de segunda-feira (24/8). Aos investigadores, o empresário disse que, diferentemente de outros serviços que prestou a Vorcaro, dessa vez o concierge foi o único serviço fornecido a Souza, bancado pelo ex-dono do Banco Master.
Com origem na hotelaria, o concierge é um profissional que fica nos saguões dos hotéis de alto padrão e auxilia com recomendações de passeios, reservas em restaurantes disputados, transporte e compra de ingressos.
No caso do serviço prestado ao servidor do BC, o concierge se restringiu, segundo o depoimento à PF, a atender Souza dentro dos parques da Disney e da Universal. Lá, o ex-diretor de Fiscalização não precisava se preocupar com pagamentos ou filas, pois todas as burocracias eram resolvidas pelo concierge.
O depoimento ainda dá conta de que a viagem ocorreu no início de 2024. Nesse período, Souza já não atuava mais como chefe da Diretoria de Fiscalização do BC, mas era chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do órgão.
Como mostrou a coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles, Vorcaro já havia demonstrado em mensagens a preocupação com guias para atender a Souza na viagem. A PF viu ainda uma troca de favores, em que o ex-banqueiro recebia informações privilegiadas em contrapartida.
Perfil
Economista formado pela PUC de São Paulo, Paulo Sérgio Neves de Souza é servidor concursado do BC desde 1998. Durante a presidência de Roberto Campos Neto, entre 2019 e 2023, Souza chefiou a Diretoria de Fiscalização, cargo mais alto que alcançou no órgão.
Em 4 de março, dia da terceira fase da Compliance Zero, Souza foi judicialmente afastado. Desde janeiro, o órgão já apurava a conduta do servidor por meio de uma sindicância.
Antes de ocupar cargos no BC, Souza foi funcionário do Banco do Brasil, em São Paulo. (Metrópoles)
Foto: Divulgação / Banco Master.



