

Uma declaração recente do senador Jaques Wagner sobre a destinação de emendas a municípios baianos provocou críticas no meio político. Em um vídeo que circula na imprensa, durante uma reunião com prefeitos e lideranças municipais, Wagner classificou como “pingadinho” a distribuição de recursos diretamente para as prefeituras.
A fala ocorreu durante uma explicação sobre a decisão de concentrar emendas no Governo do Estado. O termo ganhou repercussão por contrastar com a defesa feita pelo também senador Angelo Coronel em favor do envio direto de recursos aos municípios.
Dados apresentados a partir do Portal da Transparência apontam diferenças na destinação das emendas dos dois parlamentares. Do total de R$ 310,8 milhões atribuídos a Wagner no levantamento, cerca de 1% aparece em categorias relacionadas aos municípios baianos, incluindo Múltiplo e Salvador. A maior parte, aproximadamente R$ 290,4 milhões, foi destinada ao Governo do Estado.
No caso de Angelo Coronel, o levantamento aponta que, dos R$ 319,2 milhões analisados, quase a totalidade aparece na categoria Múltiplo, associada à destinação de recursos para municípios.
O cenário alimenta a disputa política em torno da distribuição das emendas e do papel das prefeituras na execução de investimentos. Para defensores da transferência direta, o modelo permite que os gestores municipais tenham maior autonomia para aplicar os recursos em áreas como saúde, infraestrutura e equipamentos.
A declaração de Wagner também repercute em um momento de articulação política na Bahia, com o PT buscando apoio de prefeitos para a composição da chapa que deverá ter Rui Costa e Jaques Wagner na disputa ao Senado.
Uma liderança que participou do encontro e preferiu não se identificar criticou a declaração. Segundo ela, classificar como “pingadinho” os recursos destinados diretamente às cidades desconsidera a importância dessas verbas para municípios de menor porte.
O senador Angelo Coronel também tem defendido publicamente a descentralização dos recursos. Em entrevista à Princesa FM, ele criticou o modelo que, segundo sua avaliação, coloca prefeitos em posição de dependência política para conseguir recursos destinados a necessidades básicas das cidades.
O episódio coloca novamente em debate a forma como as emendas parlamentares são distribuídas na Bahia e o peso político que os recursos destinados diretamente aos municípios podem ter nas relações entre governo, Congresso e prefeituras.
Foto: Reprodução



