terça, 11 de agosto de 2026
Euro Dólar

DÓLAR SOBE E BOLSA RECUA ACIMA DE 2%

Matheus Souza - 11/08/2026 18:58

O dólar sobe forte nesta terça-feira (11), com investidores repercutindo os dados de inflação de julho e a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central. Os documentos aumentaram a preocupação com a trajetória dos juros e alimentaram a busca por proteção.

A pesquisa eleitoral que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente de Flávio Bolsonaro (PL) também eleva o prêmio de risco dos ativos brasileiros.

Por volta das 14h, a moeda norte-americana subia 0,98%, cotada a R$ 5,161. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos, avançava 0,01%, praticamente estável.

No mesmo horário, a Bolsa recuava 2,27%, aos 168.264 pontos. Na mínima do dia, chegou a cair 2,31%, a 168.195 pontos.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de julho desacelerou a 0,07% em julho, após marcar 0,16% em junho, apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A taxa de 0,07% é a menor para meses de julho em quatro anos, desde 2022 (-0,68%). Com os dados de julho, o IPCA passou a acumular alta de 4,44% em 12 meses, após marcar 4,64% até junho. Assim, o índice ficou abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central).

O IPCA, contudo, ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0%, segundo a agência Bloomberg. O intervalo das estimativas ia de -0,1% a 0,07%. A leitura é de que, apesar da desaceleração, o cenário permanece desafiador.

O indicador se somou a ata do Copom, do Banco Central, também divulgada nesta terça, que afirmou que a inflação continua pressionada pela demanda e que esse cenário requer juros em um nível alto o suficiente para frear a economia.

“O comitê avalia que as evidências de transmissão da política monetária contracionista para a atividade econômica têm se acumulado gradualmente. Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, afirmou.

Para Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, a ata destacou o avanço dos riscos no combate à inflação. “[O documento] Manteve a assimetria altista no balanço de riscos e expandiu o trecho sobre a desancoragem de expectativas”.

Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, também vê o comitê preocupado, com as expectativas de inflação de longo prazo. “Os cortes, precificados em algumas casas, deixam de ser certo quando recebemos uma ata com um tom mais duro. E juros altos por mais tempo acabam sendo um veneno para a Bolsa”.

Economistas consultados pelo Boletim Focus projetam a taxa de juros terminando 2026 a 13,75%, estimando assim um novo corte de 0,25 ponto percentual. As previsões para os próximos três anos são de 12% (2027), 10,5% (2028) e 10% (2029).

O pregão também é pressionado por pesquisa eleitoral da CNT/MDA, que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que soma 39,1%. No primeiro turno da disputa, o petista soma 42,4%, enquanto Flávio soma 28,7%.

Para Guilherme Casa Grande Rodrigues, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, a pesquisa aumenta a incerteza sobre a política econômica e fiscal do próximo governo. “É esse prêmio de risco adicional que ajuda a explicar por que o real sofre mais do que os pares. O movimento conversa diretamente com o alerta fiscal da ata do Copom de hoje”.

Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, também vê impacto do cenário político. “A maior parte dos operadores prefere uma alternância na Presidência, ou seja, prefere que haja uma troca de governo, na expectativa de que o próximo governo seja fiscalmente mais responsável”.

Os juros futuros sobem na sessão. Por volta das 12h55, a taxa do DI (Depósitos Interfinanceiros) para janeiro de 2027 subia 22 pontos-base, a 13,770%, ante 13,748% do ajuste anterior. A do DI de 2035 subia 29 pontos-base, a 14,506%.

As taxas dos DIs refletem a expectativa do mercado para a trajetória futura da Selic e do CDI, referência para a remuneração de investimentos.

O aumento repercute o temor de uma inflação persistente entre analistas, que projetam o Copom mantendo os juros em patamares elevados por mais tempo ou com cortes mais espaçados.

O medo também repercute na Bolsa. Conforme as taxas de juros se mantém elevadas, investidores dão preferência a produtos de renda fixa, que acompanham a trajetória da Selic.

No exterior, persistem as incertezas em torno da guerra no Oriente Médio. Na noite de segunda (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o Irã é composto por “negociadores dissimulados”.

Segundo o republicano, os EUA estariam considerando “apenas deixar rolar” a guerra para que Teerã entrasse em colapso econômico ou atingi-los “com muita, muita força”.

Nesta terça, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou que o estreito de Hormuz permanecerá fechado enquanto os Estados Unidos não mudarem de comportamento.

O Irã exige os EUA suspendam o bloqueio naval e as sanções contra o Irã, retirem as forças militares americanas das proximidades do país, paguem reparações devido à guerra e liberem ativos iranianos congelados. Também pediu o fim dos ataques aos aliados do Irã na região e das ameaças contra o país.

Antes do conflito, o estreito de Hormuz era responsável por cerca de 20% da circulação de petróleo e gás natural produzidos no mundo.

A guerra interrompe a circulação no estreito de Hormuz e aumenta o temor entre investidores de um repique inflacionário global, o que gera uma maior cautela com ativos de mercados emergentes.

 

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