

O volume de produção do setor agropecuário baiano teve um crescimento de 5,8% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a segunda edição do Boletim de Conjuntura Agropecuária da Bahia. O documento foi divulgado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura e pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI-BA) e pode ser consultado no link https://www.ba.gov.br/sei/publicacoes-sei.
O levantamento indica que o desempenho positivo foi impulsionado principalmente pelo bom resultado das lavouras de soja, algodão, café, cacau e milho, incluindo também a expansão da atividade pecuária. Este é o quinto trimestre seguido em que as taxas de crescimento do setor são superiores às do Produto Interno Bruto (PIB) do estado.
O Valor Bruto da Produção (VBP) da Agropecuária alcançou R$ 5,8 bilhões de janeiro a março de 2026. Do total, R$ 4,31 bilhões foram gerados na produção agrícola (74,3%) e R$ 1,49 bilhões, no segmento pecuário (25,7%).
O volume dos produtos e serviços do agronegócio baiano aumentou 1,7% no primeiro trimestre de 2026 em termos reais, de acordo com a Coordenação de Contas Regionais da SEI. Em valores correntes, o PIB do agronegócio totalizou R$ 19,2 bilhões, equivalendo a 13,5% da atividade econômica baiana no trimestre, quando foi registrado crescimento de 0,4% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior.
Recordes na pecuária
O abate de bovinos na Bahia alcançou o maior volume já registrado para um primeiro trimestre da série histórica do levantamento, com aproximadamente 349 mil cabeças de bovinos, segundo o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse volume corresponde a um crescimento de 4,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Considerando-se os produtos derivados da pecuária, a produção de leite também alcançou índice recorde, com 161 milhões de litros no primeiro trimestre de 2026. O número representa uma expansão de 3,0% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Estimativa da agricultura para 2026
A produção de cereais, oleaginosas e leguminosas registrou volume acima de 13 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 3,2% na comparação com a safra de 2025. De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de abril passado, realizado pelo IBGE, os destaques vão para a soja, com produção estimada de 8,9 milhões de toneladas (+3,8%); algodão (caroço e pluma), com 1,84 milhão de toneladas (+2,8%); café conilon e arábica, com 294 mil toneladas em 2026 (+12,5%); e cacau, com estimativa de colheita de 137 mil toneladas (+15,4%).
China lidera destino das exportações baianas
De janeiro a março de 2026, a China manteve ampla liderança como principal destino das vendas do agronegócio baiano, absorvendo 39,3% das exportações baianas no período. O montante equivale a US$ 524 milhões, 16,1% a mais que no mesmo período do ano anterior. Os Países Baixos ocupam a segunda posição, com participação de 9%, seguidos dos EUA, com 6,3%, e a Espanha, com 5%.
As exportações baianas de algodão no primeiro trimestre de 2026 seguiram o ciclo da safra e mantiveram volumes consistentes para o mercado asiático, principal destino da fibra, impulsionadas pela alta da produtividade. O produto teve aumento de 9,7% nos embarques a 164,9 mil toneladas, com aumento das receitas em 1,6%, atingindo US$ 249,1 milhões no período.
Crédito rural
O crédito rural concedido no âmbito do Plano Safra 2025/2026 para a agricultura empresarial, sem considerar os recursos do Programa Pronaf 5 na Bahia, totalizou R$ 7,05 bilhões em empréstimos entre julho de 2025 e março de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil (BCB). No que diz respeito à origem dos recursos, 66% são de bancos públicos, 28% de bancos privados e apenas 6% de cooperativas de crédito.
Analisando-se de forma geográfica a alocação do recurso da agricultura empresarial no âmbito do Plano Safra 2025/2026, considerando o período de julho de 2025 a março de 2026, observa-se uma concentração do crédito em quatro territórios de identidade: Bacia do Rio Grande (R$ 3,02 bilhões), Bacia do Rio Corrente (R$ 1,33 bilhão), Extremo Sul (R$ 595,82 milhões) e Litoral Sul (R$ 268,2 milhões). Esses quatro territórios juntos responderam por 74% do total de crédito concedido no período.
Considerando-se as atividades agropecuárias, a agricultura empresarial responde por mais de 77% do financiamento rural, enquanto a pecuária percebe apenas cerca de 23% do total do crédito concedido no Plano Safra 2025/2026, até março de 2026.
Na agricultura, destacaram-se como principais produtos financiados a soja (R$ 1,81 bilhão), o algodão (R$ 524,13 milhões), o café (R$ 501,54 milhões), o milho (R$ 365,38 milhões) e o cacau (R$ 188,57 milhões). Esses produtos responderam por 64,4% do crédito rural destinado à agricultura no âmbito do Plano Safra 2025/2026, considerando o período de julho de 2025 a março de 2026.
Foto: ManuelaCavadas/SeagriBA