

O setor produtivo baiano protagonizou, nesta terça-feira (4), um dos mais relevantes momentos de diálogo institucional do calendário pré-eleitoral. Reunidas em uma iniciativa conjunta, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo da Bahia (Fecomércio), a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e a Federação das Empresas de Transportes dos Estados da Bahia e Sergipe (Fetrabase) promoveram um encontro com os candidatos ao Governo do Estado, ACM Neto e Jerônimo Rodrigues, recebidos separadamente ao longo da programação.
Realizado no Teatro Sesc Casa do Comércio, em Salvador, o encontro reuniu empresários, produtores rurais, industriais, transportadores, comerciantes, dirigentes sindicais e lideranças de diferentes segmentos econômicos. Em cada rodada, as quatro federações apresentaram uma pauta conjunta de prioridades para o desenvolvimento da Bahia e ouviram as propostas dos candidatos para o período de 2027 a 2030.
A proposta foi aproximar quem pretende governar o Estado dos setores responsáveis por movimentar a economia baiana, gerar empregos, renda e investimentos.
Na abertura, o presidente da Fecomércio, Kelson Fernandes, ressaltou que a união das quatro federações representa o compromisso do setor produtivo com a construção de políticas públicas voltadas ao crescimento sustentável da Bahia. “Este não é um espaço de disputa política, mas um ambiente de diálogo democrático”, afirmou, ao defender uma relação permanente entre o futuro governo e as entidades representativas da iniciativa privada.
Agenda construída por quem produz
Embora cada segmento tenha apresentado demandas específicas, as entidades convergiram em torno de uma agenda comum, considerada estratégica para ampliar a competitividade da Bahia.
Infraestrutura, segurança pública, simplificação tributária, segurança jurídica, energia, logística, inovação, qualificação profissional e interiorização do desenvolvimento estiveram entre os temas apontados como prioritários.
Representando a agropecuária baiana, o presidente do Sistema Faeb/Senar, Humberto Miranda, defendeu a criação de um canal permanente de diálogo entre o Governo do Estado e o setor produtivo. Segundo ele, empresários e produtores precisam participar da construção das políticas públicas que impactam diretamente a economia.
“A gente precisa verdadeiramente de uma mesa onde possamos discutir, periodicamente, as demandas transversais que atingem todos os setores”, afirmou.
Humberto também chamou atenção para gargalos históricos da infraestrutura baiana. Rodovias, ferrovias, portos, distribuição de energia elétrica e expansão da irrigação foram apontados como entraves que limitam novos investimentos e reduzem a competitividade do Estado.
Outro ponto de destaque foi a segurança pública. O presidente da Faeb observou que a violência afeta tanto o ambiente urbano quanto o meio rural, comprometendo investimentos e até mesmo a contratação de trabalhadores. “Não se consegue investir onde não existe segurança para as pessoas e para o patrimônio”, destacou.
Ao mesmo tempo, fez questão de enfatizar o potencial da Bahia, lembrando que o estado reúne três biomas altamente produtivos, liderança em diversas cadeias agropecuárias, crescimento da agroindustrialização e uma das maiores capacidades do país para geração de energia renovável. Para ele, transformar esse potencial em desenvolvimento depende da superação dos gargalos estruturais e da interiorização da economia, criando oportunidades para que as pessoas permaneçam produzindo em seus municípios.
Logística conecta todos os setores
Na avaliação do presidente da Fetrabase, Décio Sampaio, discutir transporte significa discutir toda a economia. Ele destacou que agropecuária, indústria, comércio e turismo dependem diretamente de uma infraestrutura logística eficiente.
“Nenhum produtor consegue escoar sua produção sem transporte. Nenhuma indústria recebe matéria-prima ou distribui seus produtos sem logística”, afirmou.
Já o presidente da Fieb, Carlos Henrique Passos, direcionou sua apresentação aos impactos da reforma tributária sobre a competitividade dos estados.
Segundo ele, o novo modelo exige que a Bahia avance rapidamente na definição de políticas públicas voltadas à atração de investimentos, aproveitando instrumentos como o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional.
“Esse encontro não é para olhar para trás, e sim para frente. A reforma tributária vai redefinir a forma de atrair investimentos, e isso passa, necessariamente, por infraestrutura. Não haverá indústria 4.0 sem energia de qualidade, conectividade e uma logística capaz de integrar rodovias, ferrovias, portos e aeroportos”, observou.
Construção de uma agenda para o futuro
Ao término de cada encontro, os candidatos receberam oficialmente a Agenda do Setor Produtivo, documento técnico elaborado de forma conjunta pelas quatro entidades. O material reúne propostas de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agropecuária, da indústria, do comércio, dos serviços e do transporte, além de diretrizes para áreas consideradas estratégicas, como infraestrutura, logística, segurança pública, energia, qualificação profissional, inovação, ambiente de negócios e desenvolvimento regional.
A entrega do documento reforçou o principal objetivo da iniciativa: contribuir para que as demandas de quem produz, investe e gera empregos na Bahia integrem o debate sobre o futuro do estado e sirvam de referência para a formulação de políticas públicas da próxima gestão estadual.
Primeiro a participar do encontro, ACM Neto apresentou seu diagnóstico sobre os principais desafios da Bahia, abordando temas como segurança pública, infraestrutura, desenvolvimento regional e ambiente de negócios. O candidato também assumiu o compromisso de manter um canal permanente de diálogo com as entidades representativas do setor produtivo.
Encerrando a programação, Jerônimo Rodrigues destacou a importância da iniciativa promovida pelas quatro federações e ressaltou que o fortalecimento do diálogo entre o poder público e o setor produtivo é fundamental para a construção de políticas voltadas ao desenvolvimento econômico, à geração de emprego e à redução das desigualdades no estado.
Foto: Divulgação FAEB