segunda, 03 de agosto de 2026
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DÍVIDA PÚBLICA ATINGE MAIOR NÍVEL DESDE 2021 E CHEGA AO PATAMAR DE 82% DO PIB

Hugo Leite - 03/08/2026 06:59 - Atualizado 03/08/2026

Segundo dados divulgados na última sexta-feira (31) pelo Banco Central, a dívida bruta do setor público consolidado chegou a 82% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho. O que representa o maior percentual entre a dívida pública e o tamanho da economia brasileira desde a pandemia de Covid-19.

O valor reúne os débitos do governo federal, incluindo a Previdência Social, estados, municípios e empresas estatais. No mês passado, a dívida passou de R$ 10,6 trilhões para R$ 10,8 trilhões.

Esse é o maior nível desde abril de 2021, quando a dívida equivalia a 82,6% do PIB. Desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o endividamento aumentou cerca de 10 pontos percentuais.

O percentual atual se aproxima do maior patamar registrado na série histórica, em outubro de 2020, durante a pandemia, quando a dívida chegou a 87,6% do PIB. Naquele período, os gastos aumentaram para reduzir os efeitos da crise sanitária sobre a economia.

Como a dívida pública cresce

O governo aumenta o endividamento quando a arrecadação com impostos não é suficiente para pagar as despesas e realizar investimentos. Com uma dívida maior, também cresce o gasto com juros.

Para o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, o aumento da dívida prejudica investimentos públicos e privados.

“Uma das consequências do elevado endividamento são as altas taxas de juros. E as altas taxas de juros evidentemente atrapalham, impedem investimentos no setor privado. Então, o governo funciona nesse caso como se fosse uma espécie de aspirador de pó. Ele aspira todos os recursos da sociedade para financiar o seu endividamento, deixando pouco para que os agentes privados possam financiar seus investimentos”, afirmou Loyola, que é sócio-diretor da Tendências Consultoria.

O ministro da Fazenda, Dário Durigan, afirmou que o governo precisa reduzir gastos para permitir a queda dos juros, mas não apresentou medidas específicas.

“O que está no controle do Estado é ir melhorando a situação fiscal para que a gente dê condição enquanto Estado para uma redução dessa taxa de juros a médio prazo”, declarou.

Déficit das estatais

O Banco Central também divulgou nesta sexta-feira o resultado das contas das empresas estatais no primeiro semestre. O déficit chegou a R$ 7,8 bilhões, o pior resultado desde 2002.

Segundo o Tesouro Nacional, até maio, apenas o déficit dos Correios passou de R$ 4 bilhões.

 

Foto: Reprodução

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