

Um terreno pertencente ao senador Jaques Wagner (PT-BA), localizado em Camaçari, na Bahia, registrou uma valorização de aproximadamente 11.400% ao longo de 26 anos. O imóvel, que teve aumento de 115 vezes no valor, passou por forte valorização no período que coincide com a construção da Via Metropolitana Camaçari, inaugurada em junho de 2018 e idealizada durante a gestão do parlamentar à frente do governo estadual. As informações foram divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo.
De acordo com os registros, Jaques Wagner adquiriu o terreno em 20 de março de 2000 pelo valor de R$ 28 mil. Considerando a correção pela inflação, o montante equivaleria atualmente a cerca de R$ 133,8 mil. Em junho deste ano, o senador tentou negociar a venda da propriedade por R$ 15 milhões, um dia após ser citado como alvo de uma operação da Polícia Federal envolvendo o caso do extinto Banco Master.
A negociação seria feita com a empresa Lagoons Empreendimentos, que tem entre seus sócios Alex Grangeon Trancoso Neves e possui capital social declarado de R$ 1 mil. O terreno havia sido comprado originalmente da empresa Traneves Patrimonial, que também conta com Alex Trancoso Neves em seu quadro societário.
Na época da venda para Jaques Wagner, a negociação foi representada por Antonoaldo Trancoso Neves. No entanto, a transferência do imóvel foi interrompida por um cartório de Camaçari após uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de bens do senador. Segundo pessoas ligadas ao STF, esse tipo de medida costuma ser adotado em processos envolvendo investigados.
Em entrevista à rádio Andaiá FM nesta sexta-feira (24), Jaques Wagner negou que a valorização do terreno tenha relação com a construção da Via Metropolitana. O senador afirmou que não recebeu indenização pela área utilizada pela obra e disse que a estrada seguiu o traçado definido pelos engenheiros responsáveis pelo projeto.
“Sobre o terreno, dá até vontade de rir, porque talvez tenha sido a única obra feita na Bahia para benefício dos baianos que não teve pagamento de desapropriação. A estrada passou pelo traçado que os engenheiros acharam melhor, cortou uma parte do terreno e eu disse que não iria cobrar nenhuma desapropriação”, declarou.
Nas redes sociais, Wagner já havia comentado sobre a construção da Via Metropolitana, destacando a importância da obra e mencionando que o projeto iniciado em sua gestão foi concluído pelo então governador Rui Costa. Em uma publicação, o senador afirmou que a rodovia possibilitou novos investimentos, incluindo a construção do centro de treinamento do Esporte Clube Bahia.
• Foto: Carlos Moura/Agência Senado



