

O deputado estadual Robinson Almeida (PT) reagiu às declarações do pré-candidato do União Brasil ao Governo da Bahia, ACM Neto, que apontou a composição de sua chapa em 2022, com Cacá Leão (PP) para o Senado e Ana Coelho (PSDB) como vice, como um dos fatores que contribuíram para a derrota nas urnas. Para o parlamentar petista, a avaliação do adversário tenta transferir para os aliados a responsabilidade por um resultado que, segundo ele, foi consequência de uma escolha política equivocada.
“Não foi erro de composição de chapa. Foi soberba política. ACM Neto acreditou que a eleição estava ganha antes mesmo de o povo votar e subestimou a força da Bahia, a capacidade de decisão do nosso povo e o sentimento de gratidão pelo trabalho realizado pelos governos do PT. A derrota de 2022 não pode ser colocada na conta de Cacá Leão ou de Ana Coelho. Quem liderava a chapa era ACM Neto, e foi ele quem escolheu o caminho político que levou à derrota”, afirmou Robinson.
O deputado também criticou a tentativa de reabrir o debate sobre a eleição de 2022 para justificar uma nova estratégia eleitoral. Na avaliação de Robinson, a principal razão para a vitória de Jerônimo Rodrigues foi a conexão construída entre o projeto político liderado pelo PT, o legado dos governos de Rui Costa e a liderança nacional do presidente Lula.
“ACM Neto perdeu porque não conseguiu compreender a Bahia real. Enquanto ele apostava que a eleição seria decidida pelo marketing e pelas estruturas tradicionais de poder, o povo baiano reconheceu quem estava do seu lado, quem entregou obras, investimentos e políticas públicas. Jerônimo venceu porque representou a continuidade de um projeto que transformou a Bahia e porque contou com a força de Lula e de Rui Costa”, disse.
Robinson Almeida também avaliou que a tentativa de atribuir a derrota de 2022 às escolhas de aliados expõe, na sua avaliação, uma característica recorrente da trajetória política de ACM Neto: a dificuldade de assumir integralmente a responsabilidade pelos resultados e a disposição de desvalorizar ou constranger antigos aliados quando os projetos eleitorais não saem como esperado. O deputado citou como exemplos os episódios envolvendo o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, nas eleições de 2018 e 2022.
“Quando ACM Neto tenta culpar os aliados pela derrota, ele não apenas procura se eximir da própria responsabilidade, mas também desconsidera, constrange e até humilha quem esteve ao lado dele no processo. Isso já aconteceu com José Ronaldo em 2018 e voltou a acontecer em 2022. Agora, a história se repete com Cacá Leão e Ana Coelho. É uma característica política de ACM Neto: quando dá certo, ele concentra os méritos; quando dá errado, procura alguém para colocar a culpa”, afirmou Robinson.
O deputado petista afirmou ainda que a declaração de ACM Neto revela uma tentativa de reescrever a história da disputa eleitoral de 2022. “É preciso ter humildade para reconhecer os próprios erros, coisa que o ex-prefeito notoriamente não tem. Cacá e Ana foram companheiros de uma chapa que perdeu, mas não foram responsáveis pela derrota. O que derrotou ACM Neto foi a soberba de achar que a eleição estava decidida e a incapacidade de dialogar com o povo baiano. Não adianta agora procurar culpados entre os aliados. A Bahia deu a resposta nas urnas e dará novamente em outubro deste ano”, completou.
Em 2022, Jerônimo Rodrigues (PT) venceu ACM Neto no segundo turno da eleição para o Governo da Bahia com 52,79% dos votos válidos. Na ocasião, a chapa de ACM Neto tinha Ana Coelho como candidata a vice-governadora, enquanto Cacá Leão disputou o Senado.