

A Federação das Indústria do Estado da Bahia (FIEB) emitiu nota técnica que analisa os efeitos das novas medidas do governo norte-americano, que impôs o Brasil, nesta quarta-feira, 15 de julho, um novo tarifaço de 25% sobre produtos baianos importados pelo país.
Na avaliação da FIEB, a medida reforça ainda mais a queda de participação dos produtos baianos na pauta de exportação para os Estados Unidos, que vem decrescendo ao longo dos últimos 24 anos e coloca o país como quarto maior destino das exportações baianas.
Se em 2001, os Estados Unidos representavam 35% das exportações do estado, em 2025 este volume correspondeu a 7,1%. E a tendência é de queda para 2026, com um volume equivalente a 6,1%.
Os segmentos industriais mais afetados pela medida são os de fabricação de papel e celulose, produtos de borracha e plásticos (pneus) e químicos (petroquímicos básicos).
Diante desse cenário, a FIEB recomenda prioridade nas negociações com os EUA para incluir novamente a celulose solúvel, pneumáticos e produtos químicos na lista de isenções, bem como a adoção de medidas de apoio aos setores afetados para minimizar suas perdas.
Em relação à eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, a entidade defende que “qualquer resposta deve ser calibrada, seletiva e baseada em estudos de impacto setoriais, de modo a preservar insumos e bens de capital críticos e evitar custos adicionais para a indústria nacional”.
O impacto e efeitos da medida estão sendo monitorados pelo Observatório da Indústria da Bahia e suas áreas técnicas. A FIEB também está orientando as indústrias do estado bem como vem mantendo a interlocução com empresas, sindicatos industriais, CNI e órgãos governamentais para reunir evidências, apoiar pleitos setoriais e contribuir para medidas de mitigação.
Nota técnica FIEB
Em 15 de julho de 2026, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) determinou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros importados pelo país, preservando as isenções concedidas a determinados produtos. A cobrança incidirá sobre os bens que ingressarem no mercado norte-americano a partir de 22 de julho de 2026. A medida recai sobre um fluxo comercial que já vem perdendo participação relativa: em 2001, os Estados Unidos representavam 35% dos destinos das vendas externas baianas; em 2025, essa participação havia caído para 7,1% e, no primeiro semestre de 2026, recuou para 6,3%, posição que hoje faz dos Estados Unidos o quarto país destinatário das exportações da Bahia.
Segundo estimativas da FIEB, tomando como referência as exportações realizadas em 2025, aproximadamente um valor de US$ 273,1 milhões em produtos baianos estarão sujeitos à nova tarifa. Esse volume equivale a 33,2% dos US$ 821,4 milhões exportados pela Bahia para os Estados Unidos ao longo do ano. O cruzamento dos dados do Comex Stat/MDIC com a lista definitiva de isenções dimensiona o impacto sobre as exportações baianas destinadas aos Estados Unidos em 2025:
De acordo com a lista definitiva de isenções (julho de 2026), a pauta de exportações da Bahia para os Estados Unidos em 2025 totalizou US$ 821,4 milhões (FOB). Desse montante, US$ 273,1 milhões, equivalentes a 33,2% das exportações, permanecem sujeitos à tarifa de 25%. Por outro lado, US$ 548,3 milhões, correspondentes a 66,8% do valor exportado, estão isentos da tarifa. Em termos de classificação por NCM, 245 produtos foram afetados pela tarifa, enquanto 157 produtos foram contemplados com isenção.
Situação tarifária da pauta Bahia x EUA em 2025 (lista definitiva de isenções – jul./2026):
Em relação à lista anterior (provisória) divulgada em junho, a versão definitiva elevou em US$ 80,4 milhões o valor da pauta baiana sujeito à tarifa de 25%. A participação dos produtos afetados passou, assim, de 23,5% para 33,2% das exportações de 2025, sobretudo em razão da retirada da celulose solúvel da lista de isenções. Considerando os dados do primeiro semestre de 2026, foram exportados da Bahia para os Estados Unidos US$ 373,2 milhões. Desse montante, a nova tarifa de 25% atingiria US$ 112,2 milhões (30,1%).
Dos US$ 273,1 milhões em produtos baianos exportados aos Estados Unidos em 2025 que estarão sujeitos à tarifa adicional de 25%, a maior parcela está concentrada no setor de fabricação de papel e celulose, que responde por US$ 104,0 milhões, o equivalente a 38,1% do total afetado. Em seguida, destaca-se o segmento de fabricação de produtos de borracha e plásticos, com US$ 78,5 milhões (28,7%), e o de fabricação de produtos químicos, com US$ 61,8 milhões (22,6%). Os demais setores somam US$ 28,8 milhões, representando 10,6% do valor sujeito à nova tarifa. Ao todo, o montante afetado alcança US$ 273,1 milhões, correspondendo a 100% das exportações impactadas.
Principais produtos baianos sujeitos à nova tarifa (2025):
Sobre a eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica
O resultado da investigação intensificou o debate sobre o uso da Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas dos Estados Unidos. A FIEB reconhece a legitimidade do instrumento e sua relevância para fortalecer a posição negociadora brasileira, mas considera que sua eventual aplicação exige cautela.
Parcela relevante das importações brasileiras e baianas provenientes dos Estados Unidos é composta por insumos, matérias-primas, máquinas, equipamentos e componentes industriais com difícil substituição imediata. Esses produtos abastecem, entre outras, as cadeias química, petroquímica e de bens de capital. Uma retaliação ampla e indiscriminada poderia elevar os custos de produção, pressionar os preços internos e reduzir a competitividade da indústria nacional, agravando os efeitos que se busca combater.
Por essa razão, a FIEB defende que qualquer resposta seja calibrada, seletiva e precedida de estudos setoriais. A análise deve considerar, produto a produto, a disponibilidade de fornecedores alternativos, o peso do item nos custos industriais e os possíveis efeitos sobre emprego e preços. Se necessária, a reciprocidade deve priorizar bens finais com substitutos disponíveis e preservar insumos e bens de capital críticos. A negociação deve permanecer como via preferencial, e a reciprocidade, como instrumento de última instância.
Posicionamento da FIEB
Diante desse quadro, a FIEB:
Atuação da FIEB
Por meio do Observatório da Indústria da Bahia e de suas áreas técnicas, a FIEB continuará monitorando a aplicação da medida, suas eventuais revisões e seus efeitos sobre a indústria baiana. Também manterá a interlocução com empresas, sindicatos industriais, CNI e órgãos governamentais para reunir evidências, apoiar pleitos setoriais e contribuir para medidas de mitigação.
A Federação seguirá orientando as indústrias do estado sobre o enquadramento tarifário de seus produtos. Previsibilidade e integração comercial são essenciais para preservar os investimentos e o emprego industrial na Bahia.



