terça, 14 de julho de 2026
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GOVERNO DEVE ANUNCIAR HOJE MEDIDA QUE DEVE TORNAR O BRASIL AUTOSSUFICIENTE NOS COMBUSTÍVEIS; ENTENDA

João - 14/07/2026 09:00

O governo deve anunciar, nesta terça-feira, 14, o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. A medida vem sendo discutida por integrantes do governo nos últimos meses e deve ser homologada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Em junho, ao abordar a possibilidade, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o aumento da proporção de etanol no combustível deve ter impacto direto na redução do preço da gasolina, além de trazer benefícios ambientais e estimular o setor agroindustrial brasileiro.

Segundo o governo federal, a mudança pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina. O volume seria suficiente para eliminar a dependência externa do país no abastecimento do combustível, colocando o Brasil em condição de autossuficiência.

A proposta, segundo o governo, deve melhorar a logística do setor, liberando infraestrutura atualmente utilizada para importação de gasolina e aumentando a eficiência na distribuição de outros derivados, como o diesel.

Em abril, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, informou que a medida terá caráter excepcional e temporário, com vigência inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período mediante decisão do CNPE.

A medida integra as diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, marco regulatório voltado à ampliação do uso de energias renováveis e à redução das emissões no setor de transportes. Em agosto de 2025, a mesma política elevou o percentual de etanol na gasolina de 27,5% para os atuais 30%.

Especialistas ouvidos pelo g1, no entanto, avaliam que a medida do governo pode aumentar o risco de desgaste em motores mais antigos ou sem calibração específica para essa mistura.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia defendido a realização de mais estudos antes da implementação da medida.

Segundo engenheiros, um dos principais desafios é a compatibilidade dos materiais, especialmente em veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para teores menores de etanol.

 

Foto: Divulgação/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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