segunda, 13 de julho de 2026
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VEREADORA CRITICA OBRAS DE ESCOLA PARADAS PELA PREFEITURA

João - 13/07/2026 08:20 - Atualizado 13/07/2026

Creches insuficientes, escolas fechadas, atrasos na entrega de uniformes e materiais, dificuldades no atendimento de saúde, falta de medicação nos postos e uma unidade para crianças autistas que não sai do papel. Para a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), a compra de 24 toneladas de filé de cação para a merenda escolar acrescenta mais um problema a uma política municipal marcada pela falta de prioridade para a infância e a adolescência.

“Não estamos falando apenas de uma compra questionável para a merenda. Estamos falando de uma gestão que falha em todas as áreas essenciais para as crianças: na educação, na saúde, na assistência, no meio ambiente e no cuidado com a primeira infância”, afirmou.

Aguardando audiência

Aladilce cobrou explicações sobre os critérios adotados para a aquisição do cação, nome comercial dado à carne de tubarões e raias, espécies que podem acumular mercúrio e outros metais pesados. Segundo ela, a prefeitura tem obrigação de garantir que a alimentação oferecida aos estudantes seja segura e definida com base em critérios técnicos rigorosos. É mais um ponto para a pauta da audiência que solicitou ao titular da SMED.

A vereadora apontou ainda o déficit de vagas em creches públicas e a dependência crescente de convênios e da compra de vagas em instituições privadas. Para ela, o programa Pé na Escola não pode servir de substituto para a ampliação da rede própria. “A Prefeitura terceiriza uma responsabilidade que é dela, enquanto milhares de famílias continuam sem acesso a uma creche pública”, criticou, citando como exemplo a Creche Municipal José Maria de Magalhães Neto, em Pituaçu, que visitou na última quinta-feira (9), com obras se arrastando há cerca de três anos.

As próprias instituições conveniadas, lembrou Aladilce, enfrentaram atrasos nos repasses, redução do horário de funcionamento e dificuldades para manter a alimentação das crianças. Na avaliação da parlamentar, o quadro mostra uma política improvisada, incapaz de garantir segurança para as famílias e para as entidades responsáveis pelo atendimento.

Na rede municipal de ensino, ela citou ainda a obra parada há um ano na Escola Municipal Metodista Susana Wesley, o atraso na obra da Escola de Pituaçu e o fechamento da Escola Municipal Paulo Mendes de Aguiar, no Rio Sena, que provocou a intervenção do Ministério Público do Estado da Bahia e levou à definição de critérios para o fechamento, reorganização ou desativação de escolas.

Aladilce também mencionou problemas de infraestrutura, atrasos na entrega de uniformes e materiais escolares e a demora na conclusão da unidade destinada ao atendimento de crianças com transtorno do espectro autista no Curralinho.

Na saúde, a vereadora afirmou que famílias continuam encontrando dificuldades para obter consultas pediátricas e atendimento especializado, inclusive medicação básica e específicas para crises epilépticas. Para ela, a ausência de uma rede capaz de acompanhar as crianças desde os primeiros anos aprofunda desigualdades e sobrecarrega principalmente as famílias mais pobres.

Meio ambiente

Aladilce também relacionou a falta de prioridade às decisões ambientais da Prefeitura. O corte de árvores, o avanço das ilhas de calor e os questionamentos judiciais envolvendo a prorrogação do contrato da BATTRE, segundo ela, comprometem a qualidade de vida das crianças que vivem hoje em Salvador e das próximas gerações.

“Uma cidade que não garante creche, escola adequada, saúde, alimentação segura e um ambiente saudável está negando futuro às suas crianças. É isso que a gestão de Bruno Reis precisa explicar à população”, concluiu.

Foto: Ângela Ramos

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