

Estreito de Ormuz liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã e é uma das rotas mais sensíveis para exportações de petróleo de Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait, Catar e Emirados Árabes
Estreito de Ormuz liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã e é uma das rotas mais sensíveis para exportações de petróleo de Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Crédito: Alex R. Forster/U.S. Navy/Wikimedia Commons
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) anunciou neste sábado (11) um novo fechamento do Estreito de Ormuz por tempo indeterminado e afirmou ter atingido uma embarcação que tentou atravessar a rota marítima sem autorização. A medida aumenta a tensão entre Teerã e Washington e volta a restringir a circulação por uma das principais vias de escoamento de petróleo e gás do mundo.
Segundo comunicado da IRGC divulgado pela imprensa estatal iraniana, nenhuma embarcação poderá cruzar o estreito “até novo aviso” e enquanto persistir o que o governo iraniano classifica como “interferência americana” na região. Nos últimos dias, a situação da hidrovia tem mudado com frequência, com relatos de reabertura total ou parcial seguidos por novas restrições.
Antes do atual conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural comercializados globalmente passava pelo Estreito de Ormuz. Mesmo sem uma interrupção prolongada, a incerteza sobre a passagem de navios tende a elevar os custos de frete e seguro, além de aumentar os riscos para o abastecimento internacional de energia.
A força iraniana informou inicialmente ter efetuado disparos de advertência contra uma embarcação que navegava por uma rota considerada irregular e estava com os sistemas de rastreamento desligados. Posteriormente, a agência semioficial Fars afirmou que o navio foi atingido por um míssil de cruzeiro após ignorar ordens para recuar.
Até o momento, o Irã não divulgou a identificação da embarcação, sua bandeira, o tipo de carga transportada nem a situação da tripulação. Também não há confirmação independente de que o navio tenha sido atingido por um míssil.
O anúncio ocorreu poucas horas depois de o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se reunir em Mascate com autoridades de Omã para discutir mecanismos de segurança para a navegação na região. O governo de Omã informou que os dois países concordaram em manter conversas técnicas e políticas, mas Teerã rejeitou a proposta de criação de duas rotas separadas para a passagem de navios.
O Irã sustenta que o controle das rotas marítimas deve permanecer sob sua autoridade, em coordenação com Omã, e não ser definido por potências estrangeiras. A disputa transformou o Estreito de Ormuz em um dos principais instrumentos de pressão de Teerã nas negociações com os Estados Unidos, ao lado das sanções econômicas e das exportações de petróleo.
Os Estados Unidos têm pressionado o governo iraniano a assumir publicamente o compromisso de manter o estreito aberto e de interromper ataques contra embarcações comerciais. O presidente Donald Trump declarou encerrado o cessar-fogo entre os dois países, mas afirmou que Washington continuará negociando.
A crise se intensificou após ataques contra três navios-tanque do Catar e da Arábia Saudita nesta semana. Os episódios foram seguidos por bombardeios americanos contra alvos no Irã e por ataques iranianos a bases militares dos Estados Unidos em países da região.
Crédito: • REUTERS/Stringer