quinta, 09 de julho de 2026
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ARMANDO AVENA – O TARIFAÇO DE TRUMP É POLÍTICO OU ECONÔMICO?

Redação - 09/07/2026 05:00

Tudo indica que os Estados Unidos vão tarifar os produtos brasileiros em percentual que pode chegar a 37,5%, segundo a Confederação Nacional da Indústria, prejudicando o Brasil e a Bahia. Isso vai acontecer por dois motivos: um de cunho econômico e outro político. Sob o ponto de vista econômico, Donald Trump defende o aumento das taxas de importação como forma de fortalecer a indústria doméstica e aumentar a arrecadação. E quer que, em vez de acessar o mercado americano via exportações, as empresas brasileiras montem fábricas nos EUA.

O outro motivo é político e não menos importante. A imposição de tarifas passa pelo Secretário de Estado Marco Rubio, que hoje é o artífice de uma política cujo objetivo é colocar no poder, em toda a América do Sul, políticos de direita alinhados com o presidente Donald Trump. É um tarifaço com forte caráter político, uma nítida interferência na soberania de uma nação livre, que vai prejudicar as empresas brasileiras, os agentes econômicos e as cadeias produtivas e atende aos interesses de Rubio, que sonha ser o sucessor de Trump. As investidas de Lula junto a Trump, que iam bem, não deram resultados, apesar do nítido interesse dos empresários americanos, por interferência de Rubio. E tampouco dará resultado o patético apelo tardio do senador Flávio Bolsonaro — após seus apoiadores pregarem abertamente o tarifaço — afirmando que as tarifas fortalecem a manutenção de um presidente de esquerda.

Na visão do secretário de Estado americano, a imposição de tarifas e a pressão econômica daí resultante enfraquecem o governo brasileiro no médio prazo, mesmo que, no curto prazo, gerem um efeito de união nacional em torno de Lula. Os americanos estão dispostos a aceitar um custo de curto prazo em troca de um objetivo estratégico de longo prazo.

As tarifas não serão impostas em bloco e haverá exceções, de modo que o consumidor americano não seja prejudicado, mas a decisão não será tomada de acordo com as negociações comerciais e, sim, com o intuito de demonstrar claramente que os países que não se alinharem politicamente aos Estados Unidos serão prejudicados. Tem sido assim na Otan, na Venezuela e no Oriente Médio.

O processo conduzido pelo USTR (Escritório do Representante Comercial da Casa Branca) não se sustenta. Como tem consciência de que os Estados Unidos têm superávits expressivos na balança comercial com o Brasil, o escritório faz acusações sem fundamento relacionadas a questões ambientais e ao desmatamento ilegal, ao uso do PIX e ao trabalho escravo. Na verdade, essas acusações existem apenas para justificar o aumento das tarifas. E aquelas relacionadas ao etanol e à propriedade intelectual poderiam ser resolvidas numa simples negociação bilateral. E tanto é assim que, no relatório preliminar, divulgado em 1º de junho, o USTR já sugeriu a aplicação de sobretaxa de 25% sobre os produtos importados brasileiros, com exceção de grande parte dos produtos agropecuários, apenas porque isso afetaria os consumidores norte-americanos.

A CNI diz que, caso o governo dos Estados Unidos adote as novas propostas de taxação contra o Brasil, de 25% e 12,5%, cerca de 4.187 produtos exportados pelo Brasil serão afetados, o equivalente a US$ 14,9 bilhões em exportações. E a Bahia será prejudicada, especialmente a indústria e o agronegócio. A indústria baiana, especialmente a petroquímica e a de transformação, tende a ser a mais afetada, por exportar os tipos de produtos que aparecem entre os milhares de itens citados pela CNI. E a Braskem, maior empresa da Bahia, que ora luta para se reposicionar no mercado, bem como a indústria de pneus, de celulose e outras, verão os preços de seus produtos se elevarem e perderão competitividade. O agronegócio baiano também pode sofrer impacto, embora mais limitado, dependendo das exclusões negociadas.

As audiências públicas parecem ser apenas para inglês ver, e a imposição de tarifas, ainda que mitigadas, deve acontecer.

O EXECUTIVO ANCELOTTI

Se um executivo for contratado a peso de ouro por uma empresa em busca de resultados e mudanças e não apresentar qualquer resultado, ele provavelmente será demitido. Carlo Ancelotti, o executivo da seleção brasileira, foi contratado por uma pequena fortuna: R$ 60 milhões por ano, ou R$ 5 milhões por mês. E ganhou milhões em campanhas publicitárias. Mas não mudou nada: a seleção que disputou a Copa foi quase a mesma de 2022 e registrou um dos piores desempenhos da história do futebol brasileiro. Ele poderia ser demitido, mas não. Seu contrato foi renovado por cinco anos, antes da Copa. E ele vai continuar administrando a seleção de longe, sem morar no Brasil nem assistir ao Brasileirão.

 

Publicado no jornal A Tarde em 09/06/2026

 

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