

O Brasil não está na Copa como sede, mas sente o torneio dentro de casa. Projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que bares e restaurantes brasileiros devem faturar R$ 2,42 bilhões durante o torneio, crescimento de 15,7% em relação ao Mundial de 2022. Em dias de jogos de grande audiência, a expectativa é de que o fluxo de clientes nesses estabelecimentos cresça até 150%, segundo levantamento da Goomer em parceria com a Abrasel SP.
O problema é que escalar atendimento nessa magnitude sem ampliar equipe é, para a maioria dos negócios, uma equação sem solução conhecida. A resposta que vem crescendo no setor é o autoatendimento por terminais e totens, tecnologia que também atende a uma mudança de comportamento documentada: 89% dos consumidores preferem o varejo físico para compras de consumo imediato durante a Copa, com supermercados concentrando 70% dessa preferência.
“A Copa coloca em evidência um desafio que o varejo e a alimentação já enfrentam no dia a dia: o pico de demanda em horário restrito, com a mesma equipe disponível. O totem de autoatendimento não substitui o atendente, ele garante que o cliente seja atendido quando o atendente está sobrecarregado”, afirma Carlos Alberto Machado de Souza, CEO da Genialtec, fabricante nacional de terminais de autoatendimento com mais de 20 mil soluções implementadas em mais de 17 mil clientes.
O torneio de 2026 se estende por 39 dias, distribuindo o fluxo de consumo ao longo de semanas, o que exige das empresas não um esforço pontual, mas capacidade sustentada de operação em alta demanda. O faturamento do setor cresce, em média, 5,4% a mais no bimestre junho-julho em anos de Copa do que em períodos equivalentes sem torneio, impacto que se distribui por toda a cadeia, do supermercado ao petisco de vizinhança.
Para Machado de Souza, o evento é um acelerador de consciência: empresas que ainda resistiam à automação do atendimento tendem a revisar a posição quando o movimento dobra e a contratação emergencial não é viável. “A escassez de mão de obra já era o principal motor da adoção de terminais antes da Copa. O torneio só torna mais visível aquilo que os dados do mercado já mostravam. Quem chega ao pico sem tecnologia operando, aprende na prática”, afirma o executivo.
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