segunda, 17 de agosto de 2026
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BRASIL COMPLETA UM ANO FORA DO MAPA DA FOME, MAS DESAFIO AINDA ESTÁ LONGE DO FIM

João - 03/07/2026 08:20

Mesmo após registrar uma das maiores conquistas recentes no combate à fome, o Brasil ainda convive com um desafio que atinge milhões de pessoas. Cerca de 6,5 milhões de brasileiros seguem em situação de insegurança alimentar grave, um ano depois de o país deixar o Mapa da Fome, marco alcançado em julho de 2025 ao reduzir para menos de 2,5% a parcela da população em risco de subnutrição ou sem acesso suficiente à alimentação.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que preservar esse cenário positivo exige a continuidade e o fortalecimento de políticas públicas voltadas à geração de emprego e renda, além de investimentos em saúde, educação e segurança alimentar. Atualmente, aproximadamente 77% da população brasileira possui acesso regular, permanente e suficiente a alimentos saudáveis e de qualidade.

Políticas permanentes

Para o pesquisador Lucas de Almeida Moura, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome, vinculado à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, a redução da fome só será sustentável se as iniciativas implementadas nos últimos anos forem transformadas em políticas permanentes. “Termos alcançado esse marco, pela segunda vez, de saída do Mapa da Fome, é resultado de uma intersetorialidade muito forte entre as políticas públicas. Isso precisa de fato ser mantido e, mais do que mantido, aprimorado.”

Segundo o pesquisador, garantir alimentação adequada vai muito além da oferta de alimentos. O enfrentamento da insegurança alimentar depende de uma estrutura ampla, que inclui renda mínima, oportunidades de trabalho, acesso à educação, saneamento básico, abastecimento de água e segurança pública.

Lucas Moura também é responsável pelo estudo que desenvolveu o Índice Multidimensional de Insegurança Alimentar, ferramenta lançada em janeiro deste ano para medir a fome no país sob diferentes aspectos. O levantamento, publicado na revista Sustainability, utiliza 12 indicadores ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para comparar a evolução da insegurança alimentar entre 2018 e 2022.

Os dados apontaram que o cenário nacional apresentou piora em 2022. Santa Catarina registrou os menores índices, enquanto Maranhão, Acre e Amazonas concentraram os piores resultados. O estudo ainda mostra que boa parte dos estados das regiões Norte e Nordeste supera a marca de 50% de insegurança alimentar multidimensional. A expectativa dos pesquisadores é atualizar os indicadores para os anos posteriores.(A Tarde)

Foto: Reprodução / Freepick

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