quinta, 02 de julho de 2026
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“APÓS TRÊS ANOS FECHADO E OBRA MILIONÁRIA, TCA REABRE SEM ESTRUTURA COMPLETA”, CRITICA CLAUDIO TINOCO

João - 02/07/2026 05:00 - Atualizado 02/07/2026

O vereador Claudio Tinoco (União Brasil), ex-secretário de Cultura de Salvador, afirmou nesta quarta-feira (1º) que a entrega da Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA) ocorre de forma incompleta e expõe o contraste entre a política cultural conduzida pela Prefeitura de Salvador e a gestão de Jerônimo Rodrigues (PT).

Ele apontou que, mesmo após mais de três anos de fechamento da Sala Principal, o TCA retorna sem uma estrutura completa para receber produções de maior porte. Entre os principais problemas citados está a ausência de equipamentos próprios de som e iluminação, o que deve obrigar o uso de estruturas alugadas.

“Não se pode tratar como grande entrega um teatro que volta sem estar plenamente preparado para cumprir sua função. O TCA é um equipamento fundamental para a cultura baiana, mas está sendo devolvido às pressas, com pendências que vão cair no colo dos produtores, dos artistas e de toda a cadeia cultural”, afirmou Tinoco.

O Teatro Castro Alves ficou sem receber grandes espetáculos desde o incêndio que atingiu o telhado do equipamento, em janeiro de 2023. No período, Salvador deixou de contar com sua principal estrutura para montagens de teatro, ópera, balé, concertos e apresentações de maior complexidade técnica.

Para Tinoco, o problema não se limita ao prazo da obra, mas também ao impacto econômico sobre quem atua no setor. Ele afirma que a falta de equipamentos próprios pode encarecer montagens e inviabilizar apresentações, sobretudo de companhias e produtores com menor capacidade financeira.

O vereador também criticou o fato de o Governo da Bahia apresentar a reabertura como marco de modernização, apesar do histórico recente de atrasos, acidentes e questionamentos envolvendo a obra. Além do incêndio de 2023, o TCA registrou um novo princípio de incêndio na parte superior do teatro em janeiro de 2025. Em novembro do mesmo ano, um trabalhador terceirizado teve a mão amputada em um acidente no canteiro de obras.

“Depois de tanto tempo fechado e de tanto recurso envolvido, o mínimo que se esperava era uma entrega completa, segura e plenamente operacional. A Bahia não pode aceitar como normal que seu principal teatro volte à atividade dependendo de improviso para funcionar como deveria”, disse Claudio Tinoco.

O vereador também comparou a condução do TCA com a política cultural adotada em Salvador, especialmente no setor audiovisual. Segundo ele, enquanto o Estado só agora lança a Bahia Filmes como iniciativa voltada ao audiovisual, a Prefeitura de Salvador já havia lançado, desde 2023, o SalCine, programa voltado ao desenvolvimento do setor na capital.

Ele aponta ainda a implantação futura dos estúdios de cinema no Subúrbio, apresentados como um dos maiores polos de audiovisual do Brasil em andamento, além da entrega de outros equipamentos importantes ainda no segundo semestre desse ano como o Teatro Vila Velha, a Escola de Música com o Teatro de Arena Letieres Leite, o Teatro do Mané Dendê, com 300 lugares, a reforma da sede do Ilê Aiyê e a Arena Multiuso.

“Salvador saiu na frente porque entendeu que cultura também é desenvolvimento, emprego, formação profissional e economia criativa. Enquanto o Governo do Estado tenta vender atraso como novidade, a cidade já tem política estruturada”, afirmou.

Foto: Antônio Queiroz/ CMS

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