

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tornou público um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro e revelou os motivos que a levaram a não se engajar na pré-candidatura do enteado à Presidência da República em 2026.
Em vídeos divulgados nas redes sociais nesta quarta-feira (24), Michelle afirmou ter sido alvo de críticas e constrangimentos por parte de Flávio e dos irmãos dele, os deputados Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, após se posicionar contra o apoio do Partido Liberal à pré-candidatura de Ciro Gomes no Ceará.
Segundo Michelle, ela defendia que o partido apoiasse o senador Eduardo Girão na disputa estadual. A ex-primeira-dama atribui a Ciro parte da responsabilidade pelo processo que resultou na inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A divergência política acabou desencadeando uma crise familiar. Michelle afirmou que se sentiu traída pela postura dos filhos do ex-presidente após tornar pública sua posição contrária à aliança no Ceará.
“Eu me senti apunhalada”, declarou.
De acordo com a ex-primeira-dama, o episódio ganhou força depois que Flávio Bolsonaro afirmou publicamente que ela havia “atropelado” Jair Bolsonaro ao comentar o tema. A manifestação do senador teria sido respaldada por Eduardo e Carlos Bolsonaro.
Michelle também revelou que recebeu uma ligação de Flávio em tom duro após a repercussão da polêmica. Segundo ela, o senador sugeriu que permanecesse afastada das decisões partidárias.
“Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço”, afirmou.
Apesar do desgaste, Michelle destacou que mantém contato familiar com o enteado e afirmou que ele frequenta sua residência regularmente.
“O Flávio vai à minha casa toda semana, mais de uma vez. Se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado. Se considerasse necessário o meu apoio, já teria conversado”, declarou.
As revelações expõem divergências internas no grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ocorrem em um momento de intensificação das articulações para as eleições de 2026, quando o PL busca consolidar seu projeto nacional após a definição de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República.
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado e ascom/PL



