

Os cidadãos cubanos passaram a representar a maior parcela dos pedidos de refúgio registrados no Brasil em 2025, ultrapassando os venezuelanos, que ocupavam a primeira posição há vários anos. Os dados fazem parte do relatório “Refúgio em Números 2026”, divulgado pelo governo federal nesta segunda-feira (22).
De acordo com o levantamento, o país recebeu mais de 75 mil solicitações de refúgio ao longo do ano passado, registrando crescimento em comparação com 2024. O resultado confirma a continuidade da recuperação dos fluxos migratórios observada após o período mais crítico da pandemia.
Os cubanos foram responsáveis por mais da metade dos pedidos apresentados ao Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). O número de solicitações feitas por cidadãos da ilha apresentou forte avanço em relação ao ano anterior, refletindo o agravamento das dificuldades econômicas enfrentadas pelo país caribenho.
Enquanto isso, os venezuelanos apareceram na segunda colocação do ranking. Também figuraram entre as principais nacionalidades requerentes pessoas vindas da Colômbia, Angola, Marrocos e Gana.
Especialistas apontam que a crise econômica em Cuba, marcada pela escassez de produtos básicos, problemas no abastecimento de energia e aumento da migração internacional, tem incentivado milhares de pessoas a buscar novas oportunidades em outros países.
Região Norte concentra maior número de processos
A maior parte das análises realizadas pelo Conare ocorreu nos estados da Região Norte, principal porta de entrada para muitos migrantes e refugiados. Roraima liderou o volume de decisões relacionadas aos pedidos, seguida por Amapá e Amazonas.
A localização estratégica desses estados e a proximidade com países da América do Sul contribuem para a concentração dos registros na região.
O estudo mostra que a maioria dos requerentes de refúgio é composta por homens adultos em idade economicamente ativa. Entre os cubanos, porém, foi identificado um perfil diferente do observado em outras nacionalidades, com presença significativa de pessoas acima dos 60 anos.
Outro dado destacado pelo relatório é que grande parte dos reconhecimentos de refúgio ocorreu com base na constatação de graves violações de direitos humanos nos países de origem dos solicitantes.
Papel do Conare
No Brasil, cabe ao Comitê Nacional para os Refugiados, órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, avaliar cada pedido e decidir sobre a concessão do status de refugiado. Em situações consideradas de grave crise humanitária, o país adota procedimentos mais ágeis para a análise das solicitações.
O relatório indica que o Brasil segue entre os principais destinos da região para pessoas que buscam proteção internacional, acompanhando as mudanças nos fluxos migratórios e nos cenários políticos e econômicos de diferentes partes do mundo.
Foto: Nilzete Franco/FolhaBV



