

Um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é interpretada pelo governo norte-americano como um caso de perseguição política. A declaração foi dada à agência Reuters após a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o representante do governo americano, a ação judicial contra Eduardo Bolsonaro faria parte de um suposto “padrão de perseguição e guerra jurídica” contra integrantes da oposição política brasileira. O porta-voz também afirmou que disputas políticas devem ser resolvidas por meio das eleições e não por condenações judiciais.
Na última terça-feira (16), a Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo. A pena fixada foi de quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto, além da inelegibilidade por oito anos. Cabe recurso da decisão.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-deputado teria atuado junto a autoridades norte-americanas para pressionar o Judiciário brasileiro, buscando influenciar processos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A acusação cita articulações envolvendo sanções contra autoridades brasileiras e medidas econômicas contra o país.
Eduardo Bolsonaro nega irregularidades e sustenta que suas ações tinham caráter político e institucional, sem a intenção de interferir em decisões judiciais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também comentou o episódio após participar da cúpula do Grupo dos Sete. Segundo relatos de agências internacionais, Trump afirmou que a situação política brasileira estaria “conturbada” e fez referência ao caso envolvendo um integrante da família Bolsonaro.
As declarações ocorreram poucas semanas após encontros de Eduardo Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro com autoridades da Casa Branca, incluindo o vice-presidente J. D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, durante agenda nos Estados Unidos.
O caso segue repercutindo tanto no Brasil quanto no exterior, em meio ao debate sobre os limites da atuação política internacional de parlamentares e ex-parlamentares brasileiros.
Foto: Reprodução