

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve a taxa de juros do país na faixa entre 3,5% e 3,75% pela quarta reunião seguida. Esta é a primeira decisão do comitê de política monetária dos Estados Unidos com a presidência de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump e que tomou posse em maio. O movimento de manutenção era amplamente esperado pelo mercado. Momentos antes da decisão, a plataforma FedWatch previa em 100% as chances de estagnação. A decisão acontece durante a possível trégua entre Estados Unidos, Israel e Irã, no Oriente Médio, que chegou aos 100 dias.
No último fim de semana, Donald Trump afirmou que um acordo estava próximo, e a previsão é de que o acordo — que prevê um cessar-fogo por 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz — seja assinado na próxima sexta-feira. O preço barril do petróleo, que ficou pressionado durante todo o período de instabilidades, já opera abaixo dos US$ 80 nesta semana.
Todas as atenções estarão voltadas para a primeira entrevista coletiva de Warsh, que acontece meia hora após o anúncio da taxa. Investidores estarão em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária. As declarações dele, segundo o banco americano J.P.Morgan, “são o maior risco”, disse em relatório.
Se antes o mercado de trabalho acendia alguma luz de preocupação, as atenções do comitê, agora, devem estar voltadas à escalada da inflação, que segue acima da meta de 2% desde a pandemia, e teve um salto após o conflito no Irã. O galão da gasolina nos EUA, por exemplo, saiu de US$ 2 para US$ 4, e o BTG Pactual estima que a próxima leitura do PCE, índice de inflação olhado de perto pelo Fed, deve alcançar os 4% nos últimos doze meses.
Decisão tem impacto global
A decisão sobre o juro americano tem impacto global. Isso porque a taxa calibra o valor do dólar e, consequentemente, impacta moedas e investimentos em todo mundo.
Quando a taxa americana está alta, parte volumosa do capital global vai para os Estados Unidos, já que o país é considerado um dos mais seguros do mundo para aplicações. Os títulos do Tesouro americano tendem a ficar mais atraentes, drenando os investimentos espalhados em todo o mundo. Com menos dólares nos países, o preço da moeda aumenta.
Por outro lado, com um ciclo de queda do juro por lá, o capital global começa a buscar aplicações que possam render mais. E países emergentes, como o Brasil, se tornam mais atraentes para o destino deste capital. Este, por exemplo, foi um dos fatores do ingresso firme dos estrangeiros entre a segunda metade do ano passado e os dois primeiros meses deste ano.
Além disso, diante da manutenção do juro por lá e a Taxa Selic ainda em patamar restritivo por aqui — em que as apostas veem uma redução para 14,25% ao ano nesta quarta-feira —, este diferencial de juros extenso favorece uma operação conhecida como carry trade: o investidor toma dinheiro emprestado num país onde os juros são baixos e aplica em outro no qual a taxa é elevada, caso brasileiro.
Foto: Bloomberg