

O São João é um dos momentos mais esperados do ano pelos baianos. Entre forró, comidas típicas, fogueiras e reencontros no interior do estado, os festejos juninos movimentam milhares de pessoas e fazem parte da cultura nordestina. Para aproveitar esse período com tranquilidade, especialistas alertam que alguns cuidados com a saúde respiratória e auditiva são fundamentais, principalmente para quem tem histórico de alergias, rinite, sinusite ou asma.
Durante o mês de junho, é comum um aumento das queixas relacionadas ao ouvido, nariz e garganta nos consultórios de otorrinolaringologia. Isso acontece porque o período reúne uma combinação de fatores que favorecem o surgimento ou agravamento de sintomas: temperaturas mais baixas nas cidades do interior, fumaça de fogueiras e fogos de artifício, exposição prolongada a sons altos e mudanças na rotina de sono e alimentação.
Segundo a médica otorrinolaringologista Dra. Flávia Perrucho, alguns sintomas se tornam mais frequentes nesta época do ano, especialmente entre quem passa muitos dias exposto às festas juninas.
“No ouvido, costumamos observar aumento de casos de zumbido, sensação de ouvido tapado e até queda temporária da audição devido à exposição prolongada a sons altos e à intensidade dos fogos de artifício. Já no nariz, os sintomas mais comuns são obstrução nasal, coriza e espirros, principalmente pela combinação entre frio, fumaça e alterações na rotina. Na garganta, dor, pigarro e dificuldade para engolir podem surgir como consequência da obstrução nasal e do acúmulo de secreção”, explica Dra. Flávia Perrucho.
A especialista reforça que pessoas com rinite, sinusite, asma e alergias precisam de atenção redobrada durante os festejos. Isso porque o ambiente frio, associado à fumaça dos fogos e fogueiras, pode funcionar como um gatilho importante para crises respiratórias.
“O frio associado à fumaça é justamente a combinação da qual alérgicos e asmáticos devem manter certa distância. Dormir bem, manter uma boa alimentação e fazer lavagem nasal já ajudam bastante. Mas, antes de viajar ou participar das festas, o ideal é realizar uma avaliação médica para entender se existe necessidade de tratamento preventivo. A doença pode ser a mesma, mas os sintomas variam muito de pessoa para pessoa”, orienta.
Outro ponto de atenção são os fogos de artifício. Mesmo quem não participa diretamente das apresentações pode sofrer impactos na audição, dependendo da proximidade, intensidade do som e tempo de exposição.
“Muitas pessoas acreditam que o risco existe apenas para quem manipula os fogos, mas não é bem assim. Dependendo da distância e do volume das explosões, pode haver perda auditiva temporária, sensação de ouvido tampado e, em casos mais graves, até perfuração do tímpano”, alerta a médica.
Além disso, o clima típico do período junino também favorece a circulação de vírus respiratórios. Em cidades do interior da Bahia, onde as temperaturas costumam cair e as pessoas permanecem mais tempo em ambientes fechados, o risco de transmissão viral aumenta.
“Em ambientes frios, as pessoas tendem a ficar mais aglomeradas e em locais fechados, o que facilita a disseminação de vírus respiratórios. Os sintomas mais comuns incluem nariz entupido, coriza, dor de garganta, dor de ouvido, dor de cabeça e, em alguns casos, tosse e febre”, destaca a especialista.
Para aproveitar o São João sem sustos, a especialista recomenda hábitos simples, mas eficazes: manter uma boa alimentação, dormir adequadamente, higienizar as mãos e realizar lavagem nasal. Também é importante evitar ficar muito próximo às caixas de som e manter distância de locais onde há apresentações frequentes com fogos de artifício.
Para quem vai viajar para cidades do interior, onde fogueiras e fogos costumam ser ainda mais intensos, o cuidado deve ser reforçado. “O tratamento nasal pode ser um grande aliado para prevenir crises alérgicas e reduzir sintomas respiratórios. Também vale investir em roupas adequadas para o frio e evitar ambientes com pouca circulação de ar e muita fumaça”, recomenda.
A médica ainda faz um alerta sobre a automedicação, hábito comum quando surgem sintomas como dor de garganta ou congestão nasal. “A automedicação é sempre um risco. Muitas doenças têm sintomas parecidos, e iniciar um tratamento sem diagnóstico correto pode mascarar o problema, atrasar o cuidado adequado e até gerar efeitos colaterais ou interações medicamentosas. O ideal é procurar orientação médica”, finaliza.
Foto gerada em IA



