

A sugestão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para que o Brasil troque a plataforma nacional Pix pela norte-americana Zelle, além de gerar uma enxurrada de críticas ao liberal, fez com que muita gente procurasse saber quais são as diferenças entre os dois.
“Os EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como o Zelle. O Pix dos EUA é o Zelle. Então dá para ir para a mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, afirmou Eduardo em entrevista à TMC, na quarta-feira, 3.
Dá para conversar e botar na mesa isso daí e tentar segurar o ímpeto de retaliação contra qualquer meio que a gente utilize de pagamento”, completou ele ao comentar uma possível negociação para evitar um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros anunciado pelos EUA.
Após a repercussão negativa, o “filho 03” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi às redes sociais para afirmar que jamais sugeriu a mudança de ferramenta e que o Pix teria sido uma criação do ex-mandatário, o que não procede.
O sistema foi criado pelo Banco Central do Brasil por meio de uma equipe de servidores públicos e especialistas liderados pelo engenheiro Carlos Eduardo Brandt, com estudos iniciados em 2016 e estruturação a partir de 2018, na gestão Michel Temer. O sistema de pagamentos instantâneos foi oficialmente lançado e entrou em vigor em novembro de 2020, no governo Bolsonaro.
Quais são as diferenças entre o Pix e o Zelle?
Apesar de ser chamado de “Pix americano”, o Zelle é um serviço limitado e é menos usado do que o sistema brasileiro. Nos Estados Unidos, a operação é privada e concentrada em operações de grandes bancos.
Criado em 2017 e operado por uma empresa privada, o sistema americano é administrado pela Early Warning Services, que pertence a um consórcio de grandes bancos dos EUA, entre os quais Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo.
Ao contrário do Pix, o Zelle tem alcance e integração mais restritos nos Estados Unidos. Ele não cobre todo o território do país e não funciona fora do bancos que aderiram ao programa. Já a plataforma brasileira se espalhou por instituições e estabelecimentos em todo o país.
Velocidade variada e menos popularidade
Enquanto o Pix é instantâneo, o Zelle costuma demorar um pouco mais para concluir a transação. Em certas circunstâncias, quando o sistema passa por problemas, a conclusão da operação pode levar horas ou até mesmo dias.
Além disso, apesar de ser associada a transferências entre pessoas, a ferramenta não se popularizou como no Brasil. Usuários do Zelle dos EUA, inclusive, apontam que ele tem limitações e não virou padrão nas transferências financeiras.
A discussão sobre as plataformas aconteceu após autoridades estadunidenses citarem o Pix em documentos sobre comércio e concorrência. Relatório do USTR mencionou o Pix 20 vezes e dedicou inúmeras páginas a críticas ao modelo brasileiro, incluindo regras de adesão e a gratuidade para pessoas físicas.
Confira mais diferenças entre Pix e Zelle
Pix
Zelle
Foto: Bruno Peres | Agência Brasil
Foto: Montagem | Reprodução e Marcelo Casal Jr/Agência Brasil