

A alta taxa de mortalidade empresarial no Brasil acende um alerta para a importância do planejamento e da gestão de riscos nas organizações. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que aproximadamente 20% das empresas encerram suas atividades ainda no primeiro ano de funcionamento. Em até cinco anos, o percentual de empresas que fecham as portas chega a 62,7%.
O cenário evidencia os desafios enfrentados pelas organizações diante de crises econômicas, interrupções operacionais, desastres naturais, falhas tecnológicas, ataques cibernéticos e outros incidentes capazes de comprometer a continuidade das operações. Para a Associação Brasileira de Infraestrutura da Qualidade (ABRIQ), a adoção da ISO 22301 – Sistema de Gestão de Continuidade de Negócios (SGCN) – pode ser um diferencial estratégico para aumentar a resiliência e a capacidade de resposta das empresas.
A norma internacional estabelece diretrizes para que as organizações identifiquem riscos, avaliem impactos e implementem processos capazes de manter produtos e serviços essenciais em funcionamento mesmo diante de situações adversas. Além disso, permite que as empresas obtenham certificação por meio de organismos independentes, demonstrando ao mercado seu compromisso com a continuidade operacional e a gestão estruturada de riscos.
“Em um ambiente de negócios cada vez mais instável e sujeito a interrupções inesperadas, a ISO 22301 oferece às organizações uma estrutura sólida para prevenir impactos, responder de forma eficiente a incidentes e garantir a continuidade das atividades essenciais. Trata-se de um investimento estratégico na sustentabilidade e na sobrevivência dos negócios”, afirma José Joaquim Ferreira, vice-presidente de Sistemas e Pessoas da ABRIQ.
De acordo com a norma, interrupções podem ocorrer de forma prevista ou inesperada e provocar desvios negativos na entrega de produtos e serviços, afetando diretamente os objetivos organizacionais. Nesse contexto, a ISO 22301 orienta as empresas na criação de sistemas de gestão capazes de monitorar riscos, definir atividades prioritárias, documentar processos críticos e estabelecer planos de resposta e recuperação.
Entre os benefícios da implementação estão a redução de perdas financeiras, a diminuição do tempo de paralisação das operações, o fortalecimento da confiança de clientes e parceiros e a melhoria da capacidade de reação diante de crises. A norma também contribui para o alinhamento entre liderança, equipes e partes interessadas, promovendo maior eficiência operacional e governança.
“A continuidade dos negócios deixou de ser apenas uma preocupação das grandes corporações. Hoje, empresas de todos os portes precisam estar preparadas para lidar com incidentes que podem comprometer suas operações, sua reputação e até sua permanência no mercado. A certificação com a ISO 22301 demonstra maturidade organizacional e reforça a confiança junto a clientes, investidores e parceiros”, complementa Ferreira.
FOTO: Tânia Rêgo/Agência Brasil