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ALTA NOS GASTOS DA PREVIDÊNCIA REACENDE DEBATE SOBRE NOVA REFORMA, APONTA IFI

VICTOR OLIVEIRA - 21/05/2026 14:42 - Atualizado 21/05/2026

Um relatório divulgado nesta quinta-feira (21) pela Instituição Fiscal Independente, órgão ligado ao Senado Federal, aponta que o crescimento acelerado das despesas da Previdência Social voltou a pressionar as contas públicas e pode levar à necessidade de uma nova reforma previdenciária nos próximos anos.

Segundo o documento, os gastos do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) chegaram a R$ 1,027 trilhão em 2025, valor equivalente a 8,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e a quase metade das despesas primárias da União. A projeção da instituição é que esse percentual continue aumentando e alcance 9,1% do PIB até 2030 caso não haja mudanças estruturais.

O relatório destaca que, mesmo após a reforma da Previdência aprovada em 2019 durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e conduzida pelo então ministro Paulo Guedes, as despesas seguem crescendo impulsionadas pelo envelhecimento da população e pelo aumento da expectativa de vida.

De acordo com a IFI, o número de benefícios pagos pelo RGPS cresceu 11,6% entre 2021 e 2025, chegando a 35,2 milhões. As aposentadorias foram responsáveis pela maior parte desse avanço. O estudo aponta ainda que as mudanças promovidas em 2019 reduziram parcialmente o ritmo de crescimento dos gastos, mas não eliminaram a tendência de alta.

Outro fator de preocupação citado no relatório é o aumento expressivo dos auxílios por incapacidade temporária. As concessões quase dobraram entre 2022 e 2025, passando de 1,9 milhão para 3,9 milhões por ano. A IFI relaciona o crescimento à adoção do sistema Atestmed, que passou a permitir análises documentais remotas em substituição parcial das perícias presenciais.

A fila de pedidos no Instituto Nacional do Seguro Social também aumentou significativamente. O estoque de requerimentos em análise saltou de 371 mil em 2019 para cerca de 3 milhões em 2025.

Além da pressão previdenciária, a IFI avalia que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha com projeções econômicas consideradas otimistas no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027. O órgão aponta diferenças relevantes entre as estimativas oficiais de arrecadação e crescimento econômico e os cálculos considerados mais realistas pela instituição.

Na avaliação do relatório, o atual cenário fiscal brasileiro apresenta um “equilíbrio precário”, sustentado por receitas extraordinárias e flexibilizações legais para cumprimento das metas fiscais, enquanto as despesas obrigatórias continuam crescendo de forma contínua, principalmente na Previdência Social.

Foto; Reprodução

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