segunda, 18 de maio de 2026
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DJS BAIANOS MOSTRAM QUE SALVADOR TAMBÉM PODE SER TERRA DA MÚSICA ELETRÔNICA

João - 18/05/2026 09:45 - Atualizado 18/05/2026

Crescer em Salvador é crescer ouvindo que a cidade é a terra do axé, do pagodão e do arrocha. Dificilmente alguém completa a frase dizendo que ela também é terra da música eletrônica.

Durante anos, essa ideia foi repetida como verdade: “isso é coisa de paulista”, “isso não é música de baiano”. A dupla de DJs e produtores por trás do projeto Fullmode decidiu não aceitar esse limite.

Após uma apresentação marcante no Camarote Salvador, durante o Carnaval de 2026, e o lançamento da faixa “Salvador”, o projeto propõe uma inversão simples, mas poderosa: não adaptar a música eletrônica à Bahia de forma superficial, mas permitir que a própria Bahia atravesse a música eletrônica.

No palco do Camarote Salvador, o Fullmode entregou um set que transformou a pista em uma experiência sensorial conectada à identidade baiana. Misturando elementos eletrônicos com referências culturais e emocionais da cidade, a dupla fez o público cantar, vibrar e se reconhecer dentro da sonoridade apresentada. Em meio à energia do Carnaval, o show reforçou que a música eletrônica também pode ocupar espaços tradicionais da cultura baiana sem perder autenticidade.

A faixa “Salvador” materializa isso de forma simbólica.

Baseada em um poema de Aloísio Menezes, a música constrói uma atmosfera que percorre identidade, memória e pertencimento, até chegar a um momento-chave: o grito de “Salvador”, imediatamente antes de um drop de house.

Mais do que um recurso estético, esse momento funciona como declaração. É a afirmação de que a música eletrônica também pode ser linguagem baiana. Que a pista também pode carregar história. E que identidade cultural não precisa ser limitada a um único formato.

Essa mesma percepção já havia aparecido no projeto Um Círculo, idealizado pela dupla em 2023. A proposta do evento era criar uma experiência coletiva onde música, arte, conexão e pertencimento se encontrassem em um mesmo espaço. Fugindo do formato tradicional das festas eletrônicas, o projeto apostou em uma atmosfera mais humana, próxima e imersiva, aproximando públicos que normalmente não consumiam o gênero.

No evento, um fenômeno curioso se repetiu: pessoas que afirmavam não gostar de música eletrônica estavam ali, aproveitando cada instante. Não por adaptação de repertório, mas por identificação.

“A gente percebeu que o problema não era a música eletrônica em si, mas a forma como ela chega”, explicam. “Quando ela se conecta com algo que é familiar, culturalmente próximo, a barreira simplesmente desaparece.”

A proposta do Fullmode não é negar os gêneros que historicamente definem Salvador, mas expandir esse território.

Se a cidade é reconhecida mundialmente pela força de sua música, por que a música eletrônica não poderia fazer parte dessa narrativa também?

“Já temos uma carreira de 10 anos como DJs e produtores e passamos boa parte dela buscando referências de sonoridades gringas. Só agora nos demos conta do óbvio: a resposta está dentro de casa. Salvador é uma potência musical e criativa, e esse projeto é sobre a fusão desses diferentes tipos de sons.”

Ao invés de buscar validação fora, o movimento parte de outro lugar: o direito de ocupar. E, principalmente, de reconfigurar uma ideia que parece pequena demais para uma cidade como Salvador.

Confira: https://www.youtube.com/watch?v=nWWBdrg-uvo

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