

Que fosse um grande playground. Esse foi o pedido inusitado que a atriz e escritora Heloísa Périssé fez à arquiteta Lais Galvão (@laisgalvaoarq) para sua casa de veraneio na Praia do Forte, na Bahia. Nascida no Rio de Janeiro, a artista passou boa parte da infância em Salvador e, após anos vivendo na capital fluminense, decidiu que era hora de ter um lar sob a brisa baiana para se reconectar com essa terra e desfrutar de momentos de descanso.
Construído do zero em um terreno de 700 m², o imóvel de 365 m² foi dividido em dois módulos, em vez de um bloco único. Essa solução permitiu que todos os ambientes tivessem mais de uma abertura de esquadria, favorecendo a ventilação cruzada e a entrada de luz natural. “Utilizamos esquadrias de madeira com paletões móveis para controlar tanto a circulação do ar quanto a incidência do sol”, afirma Lais.
A plena integração com a natureza também foi um desejo de Heloísa. “Eu não queria uma casa convencional, queria um espaço onde, do lado de fora, parecesse um grande playground e, ao entrar, já sentisse aquele clima de férias. Não é uma casa que eu teria na cidade, foi pensada especialmente para a praia”, ela diz.
Do lado de fora, um deque coberto abriga a área gourmet, que se conecta diretamente à piscina e ao jardim, criando uma sequência fluida entre os ambientes e reforçando a convivência familiar. “Essa casa foi feita para se relacionar, conversar e se divertir. Queria que todos entrassem e pensassem: ‘vamos rir e ser felizes’.”, Heloísa Périssé
A unidade visual do projeto é garantida pela madeira: tauari no forro do teto; cumaru no piso externo; e eucalipto nas vigas e nos pilares. “Queríamos um conceito despojado e elegante, em que a natureza fosse protagonista. Por isso, utilizamos eucalipto em seu tom original na estrutura. Deixar a luz entrar, integrar o verde, ter ventilação cruzada e materiais naturais favorece o bem-estar”, fala a arquiteta.
Outro fio condutor é a paleta neutra. Os pisos internos, em microcimento de tom cinza-claro, se estendem aos armários de alvenaria da cozinha, onde o cinza reaparece na bancada ultracompacta, escolhida pela sua durabilidade.
Essa base harmoniza com o branco do sofá e do revestimento da piscina e do lavabo, além dos móveis e acessórios em tons de bege e palhinha, que reforçam a atmosfera natural. O contraste surge no ladrilho verde do piso da cozinha e na vegetação ao redor, acrescentando frescor ao conjunto.
“Sou uma pessoa séria, mais do que costumo mostrar, e isso se reflete nas minhas casas. As tonalidades calmas traduzem escolhas tranquilas, sem excessos, focadas apenas no que realmente me importa. Sou prática e objetiva: quero poder dar duas ajeitadas no sofá e vê-lo arrumado, por exemplo. Para mim, tudo deve ser bonito, mas também funcional”, revela a atriz.
Justamente para unir utilidade e beleza, a arquiteta apostou em sofás, pufes e poltronas largas com capas e, na área externa, mobiliários apropriados para serem usados sem preocupação, até com roupas de banho. “Cada elemento foi pensado para que todos pudessem interagir de qualquer lugar da casa”, comenta Lais.
Queríamos um conceito despojado e elegante, em que a natureza fosse protagonista. Por isso, utilizamos eucalipto em seu tom original na estrutura.”— Lais Galvão
No âmbito íntimo, a residência conta com cinco suítes. Uma delas, situada no térreo, foi projetada com recursos de acessibilidade, enquanto as demais se distribuem pelo segundo pavimento.
A decoração de todos os quartos é igual e segue a linha minimalista natural, marcada por tons neutros e armários abertos em vãos de madeira, sem portas ou gavetas — solução que, segundo Heloísa, reforça o conceito de abertura e amplitude do projeto.
Além disso, nenhum dos dormitórios foi equipado com televisão, de modo a incentivar a contemplação da paisagem ao redor e a estimular ainda mais a convivência.
E nos momentos de interação, quando a atriz e sua família não estão aproveitando a piscina ou preparando uma deliciosa refeição na cozinha, eles se reúnem para jogar. “Cartas e jogos de tabuleiro são nossa paixão”, ela conta.
Eu não queria uma casa convencional, queria um espaço onde, do lado de fora, parecesse um grande playground e, ao entrar, já sentisse aquele clima de férias.” — Heloísa Périsse
“Essa casa foi feita para se relacionar, conversar e se divertir. Queria que todos entrassem e pensassem: ‘vamos rir e ser felizes’. As mesas são redondas para não ter ninguém na cabeceira que pareça mais importante do que o outro”, sintetiza.
Outro aspecto relevante era conceber um imóvel com arquitetura flexível. “A cozinha aberta, integrada ao exterior, pode ser transformada em espaço gourmet, enquanto a área de serviço interna pode assumir a função de cozinha principal”, explica a arquiteta Lais. “Pensei nesse projeto também para o futuro, talvez para morar quando eu ficar mais velha, mas sempre preservando esse espírito despojado e à vontade”, destaca Heloísa.
Pensei nesse projeto também para o futuro, talvez para morar quando eu ficar mais velha, mas sempre preservando esse espírito despojado e à vontade.” — Heloísa Périssé
Sou uma pessoa séria, mais do que costumo mostrar. As tonalidades calmas traduzem escolhas focadas no que realmente me importa.” — Heloísa Périssé
Foto: Gabriela Daltro/Divulgação
Foto: Gabriela Daltro/Divulgação
Foto: Gabriela Daltro/Divulgação



