

O número de famílias brasileiras que recebem benefícios de programas sociais do governo federal apresentou queda em 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
De acordo com o levantamento, cerca de 18 milhões de domicílios receberam algum tipo de auxílio social neste ano, o equivalente a 22,7% das mais de 79 milhões de residências do país.
Apesar da redução em relação a 2024, quando o índice era de 23,6%, o percentual ainda permanece acima do registrado antes da pandemia de covid-19. Em 2019, apenas 17,9% das famílias brasileiras recebiam benefícios sociais.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgada no Rio de Janeiro, e incluem programas federais como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de auxílios estaduais e municipais.
O levantamento aponta que o pico da cobertura social ocorreu em 2020, durante a pandemia, quando 31,4% dos domicílios brasileiros receberam algum tipo de assistência governamental.
EVOLUÇÃO DAS FAMÍLIAS BENEFICIADAS
Segundo o analista do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes, a redução observada em 2025 está relacionada à melhora do mercado de trabalho e ao crescimento da renda da população.
De acordo com o especialista, o aumento da renda do trabalho diminui a necessidade de parte das famílias recorrerem aos programas de transferência de renda.
O IBGE também destacou que a taxa de desemprego registrada em 2025 foi a menor desde o início da série histórica iniciada em 2012.
A pesquisa revelou ainda que o rendimento médio proveniente de programas sociais ficou em R$ 870 em 2025, levemente abaixo dos R$ 875 registrados em 2024.
Na comparação com 2019, quando o valor médio era de R$ 508, houve crescimento real de 71,3%, já descontada a inflação.
Segundo o instituto, a ampliação dos programas sociais ganhou força principalmente após a pandemia, período em que benefícios como o Bolsa Família passaram por reformulações e ampliação da cobertura, operando também sob os nomes de Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil.
BOLSA FAMÍLIA SEGUE COMO PRINCIPAL PROGRAMA
O Bolsa Família continua sendo o principal programa de transferência de renda do país.
Em 2025, 17,2% dos domicílios brasileiros recebiam o benefício, o equivalente a 13,6 milhões de famílias.
Já o Benefício de Prestação Continuada apareceu em 5,3% das residências. Outros programas sociais estaduais e municipais alcançaram 2,4% dos lares.
NORDESTE E NORTE LIDERAM BENEFICIÁRIOS
Os dados regionais mostram que as regiões Norte e Nordeste concentram os maiores percentuais de famílias atendidas por programas sociais.
No Nordeste, 39,8% dos domicílios recebiam algum benefício em 2025. No Norte, o índice ficou em 38,8%.
O Sul apresentou o menor percentual do país, com 10,8% das famílias contempladas.
Entre os estados com maior presença do Bolsa Família, o Pará lidera com 46,1% dos domicílios atendidos. Maranhão aparece em seguida, com 45,6%, seguido pelo Piauí, com 45,3%.
A Bahia ocupa a oitava posição nacional, com 38,7% das famílias recebendo o benefício.
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