

A hipertensão arterial é hoje a principal causa isolada de doença renal crônica (DRC), condição que já atinge cerca de 10% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, o cenário é ainda mais preocupante: estima-se que um em cada três hipertensos não saiba que tem a doença, o que favorece lesões silenciosas e progressivas nos rins. “A pressão alta compromete os vasos sanguíneos renais ao longo do tempo e, quando não controlada, pode levar à perda definitiva da função dos rins”, alerta a médica nefrologista Manuela Lordelo, no mês em que é comemorado o Dia Mundial da Hipertensão (17/05).
De acordo com a especialista, a hipertensão provoca um desgaste contínuo nas estruturas responsáveis pela filtração do sangue, causando o que os médicos chamam de nefroesclerose hipertensiva. Esse processo reduz gradualmente a capacidade dos rins de eliminar toxinas e controlar líquidos e eletrólitos do organismo. “O problema é que a doença renal crônica costuma evoluir sem dor ou sinais evidentes. Muitas pessoas descobrem apenas quando já há necessidade de tratamentos mais complexos, como a diálise”, explica Manuela Lordelo, reforçando que hipertensão e diabetes são os principais fatores de risco para a DRC.
Entre os sintomas que podem surgir em fases mais avançadas estão inchaço nas pernas e no rosto, urina espumosa, cansaço excessivo, náuseas e alterações na frequência urinária. No entanto, a nefrologista destaca que a prevenção começa muito antes desses sinais. “Controlar a pressão arterial, reduzir o consumo de sal, manter um peso saudável, praticar atividade física e evitar a automedicação são medidas fundamentais para proteger os rins”, orienta. Exames simples, como creatinina no sangue e urina tipo 1, ajudam a identificar precocemente alterações renais.
O tratamento da doença renal associada à hipertensão envolve controle rigoroso da pressão, mudanças no estilo de vida e, quando necessário, uso de medicamentos específicos que protegem a função renal. “Quando a pressão é bem controlada, conseguimos retardar, e em muitos casos evitar, a progressão da doença renal crônica”, afirma Manuela Lordelo. A médica reforça que consultar um nefrologista não deve ser visto como algo ligado apenas à diálise, mas como parte essencial do cuidado preventivo para quem tem pressão alta.
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