

Um perfume e um “chinelinho”: Maya, de seis anos, sabe exatamente o que sua mãe quer ganhar no próximo domingo. Nesta quarta-feira (6), ela foi com a avó Valéria Miguel, de 62 anos, garantir os presentes. Tem sido assim há alguns anos. Na semana do Dia das Mães, as duas saem escondidas para comprar os mimos e fazer surpresa na data.
Por que o filho do meio está desaparecendo das famílias brasileiras?
“Desde que ela era menorzinha eles falam do Dia das Mães na escola, fazem alguma lembrancinha, tem comemoração. Como os pais dela estão separados, a avó aqui é quem compra o presente para a mãe dela”, diz Valéria.
Elas estão entre as muitas famílias que presentearão no Dia das Mães em Salvador. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) estima um aumento de cerca de 3% nas vendas do Dia das Mães nas lojas da capital e da Região Metropolitana de Salvador (RMS). O Dia das Mães é a principal data comemorativa do comércio no primeiro semestre.
No período, a CDL estima que os setores mais movimentados serão os de vestuário, perfumaria, acessórios, calçados e eletrônicos. Para a data, a instituição aguarda um tíquete médio em torno de R$ 150.
A nível estadual, a projeção é semelhante. O faturamento do varejo baiano deve aumentar em média 4,5%. A expectativa do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia (Sindilojas) é que haja um crescimento de ao menos 5% nas vendas em relação ao ano passado no estado. “Nós estamos confiantes que vamos ter um mês de maio muito positivo para a realidade que o país enfrenta hoje, de uma situação caótica na atividade econômica”, diz Paulo Motta, presidente do sindicato.
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio), por sua vez, espera um faturamento de R$ 15,2 bilhões nos setores relacionados à data comemorativa, 4% a mais que no mesmo período do ano passado.
A Fecomércio analisou seis atividades, das quais três devem apresentar desempenho positivo, enquanto as demais tendem a registrar retração. Os setores de consumo básico devem se destacar, como farmácias e perfumarias, com crescimento estimado de 8%, e supermercados, com alta prevista de 4%. O terceiro é o grupo “outras atividades”. Embora inclua a venda de combustíveis, que reúne setores como joalherias, lojas de chocolates, artigos esportivos, entre outros. A expectativa é de crescimento expressivo, também na ordem de 8% na comparação anual.
Os artigos dos segmentos mais procurados têm algo em comum além da popularidade no Dia das Mães: estão entre os que mais encareceram no acumulado de 12 meses. As bijuterias aumentaram 13,69%, influenciadas pela alta do ouro e da prata no mercado internacional. Em seguida, estão produtos para cabelo (8,79%), sapatos femininos (7,48%) e sandálias (7,47%).
O planejador financeiro Raphael Carneiro destaca que os aumentos são consideráveis e estão acima da inflação. Segundo ele, a tendência desses períodos é tradicionalmente que fiquem mais caros, porque são mais procurados. “[A saída] é programar o que quer comprar e se planejar antes, não deixar para a última hora. Quando a gente espera até a última hora a tendência é gastar mais, porque não vai ter muitas opções, as coisas estão mais caras, o tempo está limitado. Então é tentar ao máximo se programar e comprar com antecedência”, afirma.
Foi assim que Maria Dalva, de 56 anos, garantiu o presente da mãe. Todo ano, ela e os irmãos sondam o que a mãe quer ou precisa e compram com antecedência – para chegar a tempo no interior onde ela mora e, claro, para economizar.
“Minha mãe já tem 85 anos. A gente vai comprando as coisinhas que ela pede, que não teve oportunidade antes. Hoje, estando dentro das nossas possibilidades, a gente faz o que pode para agradá-la. Este ano ela queria um micro-ondas porque o dela quebrou, nós compramos e já mandamos para o interior. Ela não sabe ainda, vai ficar hiper feliz”, conta Dalva.
Como economizar?
Para quem deseja agradar a mãe sem que o presente pese no bolso, Raphael Carneiro tem algumas dicas. Segundo ele, é preciso ter cuidado em datas comemorativas, porque existe um apelo emocional forte em dar bons presentes ao pai, à mãe, irmãos, amigos… É aí que entra o cuidado de se programar.
“O ideal é pensar no ano, juntar essas datas comemorativas, se puder. Estipular um valor que vai gastar ao longo do ano e a partir daí separar mensalmente para ter esse valor”, orienta.
Muitas vezes, a vontade de presentear bem supera o orçamento, o que resulta no parcelamento, naquele velho raciocínio: se parcelar, cabe. Mas, a realidade não é bem essa. “É fundamental entender bem o valor que se pode gastar, entender bem esse cenário para definir um valor e não extrapolar. Entender que a parcela pode caber, mas existem outras coisas que vão compor o orçamento do mês”, diz.
Outro ponto importante, afirma Carneiro, é entender que a parte mais importante não é o presente. Ele reforça que não é possível compensar ausências ou comprar alguém com presentes.
“A gente tem a tendência de usar o presente para mostrar que gosta de alguém, mostrar que dá importância. É preciso ter cuidado com isso. E até informar a pessoa, às vezes, a dificuldade, a situação profissional, ‘esse ano eu lembro assim’, ‘esse ano eu consigo isso’, ‘lembrei de você’. O mais importante é lembrar, é o carinho, é o momento, e não pensar em valores para poder comprar presente”, afirma.
Crédito: Arisson Marinho/CORREIO