quarta, 06 de maio de 2026
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CEO DA LATAM ALERTA PARA IMPACTOS DO FIM DA ESCALA 6×1 EM VOOS INTERNACIONAIS

VICTOR OLIVEIRA - 06/05/2026 16:02

A LATAM Airlines divulgou lucro líquido de US$ 576 milhões no primeiro trimestre de 2026 e, paralelamente ao resultado financeiro, entrou no debate sobre mudanças na legislação trabalhista no Brasil. Durante coletiva realizada nesta terça-feira (5), o CEO da companhia no país, Jerome Cadier, afirmou que o possível fim da escala 6×1 pode impactar diretamente as operações internacionais.

Segundo o executivo, a aplicação do PL 1838/2026 para aeronautas — incluindo pilotos, copilotos, comissários e mecânicos de voo — poderia inviabilizar voos de longa duração. “Se um projeto assim for implementado, o Brasil não vai ter mais operação internacional”, declarou.

A proposta, enviada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, mantendo o limite diário de oito horas. O texto também estabelece dois dias consecutivos de descanso remunerado por semana e proíbe a redução proporcional de salários.

Durante a apresentação aos investidores, Cadier defendeu que o setor aéreo atue junto ao Congresso para excluir os aeronautas das novas regras. Segundo ele, voos internacionais exigem jornadas mais extensas, o que demandaria adaptações específicas para a categoria.

Apesar da preocupação manifestada, o relatório financeiro da companhia não menciona diretamente a escala 6×1 nem detalha possíveis impactos do projeto. No documento, a empresa informou ter transportado 22,9 milhões de passageiros no período, com crescimento impulsionado tanto pelo mercado doméstico quanto pelas rotas internacionais.

O debate ocorre enquanto o projeto tramita na Câmara dos Deputados do Brasil. A proposta abrange trabalhadores regidos pela CLT e também pode afetar categorias com regulamentações próprias.

Atualmente, os aeronautas seguem regras específicas definidas pela Lei 13.475/2017, que estabelece limites de jornada, tempo de voo e períodos de descanso. A legislação permite diferentes configurações de tripulação em voos internacionais, com jornadas que variam entre 9 e 16 horas, dependendo da operação.

Diante desse cenário, representantes do setor aéreo defendem a manutenção de um regime diferenciado para os profissionais da aviação, argumentando que a atividade possui características operacionais próprias que exigem flexibilidade.

Foto: Reprodução

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