

A Praia do Farol da Barra, um dos principais cartões-postais de Salvador, voltou a registrar o despejo de água escura com forte odor no mar após as chuvas, provocando impactos ambientais, afastando banhistas e prejudicando trabalhadores da região. O problema, recorrente, tem gerado novo impasse entre órgãos públicos sobre a responsabilidade pela situação.
O trecho entre o Farol e o Cristo da Barra foi tomado por uma descarga de aparência poluída, formando lodo na faixa de areia e reduzindo o movimento no local. Frequentadores relatam prejuízos e apontam a repetição do problema sem solução efetiva.
Procurada, a Embasa afirmou que a tubulação observada seria uma saída da rede de drenagem pluvial da prefeitura, usada para escoamento de água da chuva, e destacou que a fiscalização de lançamentos clandestinos de esgoto cabe ao município.
Já a Secretaria Municipal de Manutenção (Seman) reconheceu que a coloração escura “não é normal de água de chuva”, informou que realizaria vistoria e citou parecer da Agersa segundo o qual caberia à Embasa identificar irregularidades e garantir o tratamento adequado dos efluentes.
Na prática, o caso evidencia um impasse entre os órgãos, com troca de responsabilidades e ausência de solução imediata para um problema que se repete. Enquanto isso, os impactos seguem atingindo moradores, turistas e comerciantes.
Especialistas apontam que a situação reflete falhas estruturais no sistema urbano. “As responsabilidades se complementam entre município, estado e União. Quando um elo dessa cadeia não funciona, compromete todo o sistema”, afirma o oceanógrafo José Rodrigues.
Ele alerta que os danos vão além do aspecto visual e afetam diretamente o meio ambiente. “Quando esse tipo de descarga ocorre de forma recorrente, há comprometimento da qualidade da água e danos ao ecossistema marinho, que perde capacidade de se recuperar e de sustentar as atividades que dependem dele”, afirma.
O problema já havia sido denunciado anteriormente, inclusive em dezembro de 2025, e voltou a ocorrer menos de cinco meses depois, com maior intensidade, deixando a praia praticamente vazia após os episódios de chuva.
(Tribuna da Bahia)
Foto: Tereza Torres/Setur