segunda, 04 de maio de 2026
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ADARY OLIVEIRA – O PASSAR RÁPIDO DOS TEMPOS

Redação - 04/05/2026 05:00

A cada quatro anos o tempo parece passar mais depressa e quando damos conta está chegando o Natal. Além dos acontecimentos normais aos quais estamos acostumados, encerramos o primeiro semestre com a mobilização para assistirmos pela televisão os jogos da Copa do Mundo de Futebol. Lembro-me ainda da Copa de 1950, que ouvi as transmissões pelo rádio, quando meu pai e dois amigos foram ao Rio de Janeiro assistir a Copa e presenciar a inauguração do Maracanã. Eles foram de trem, de Ruy Barbosa até Belo Horizonte, porque o pai de um deles, coronel que chefiava a política local, proibiu que o filho viajasse de avião. De lá eles seguiram para São Paulo e para o Rio nas asas da Panair, lavrando compromisso de não dizer nada em casa sobre os voos. Eu tinha oito anos de idade e torcia pelo Vasco, base do escrete nacional, e sentimos muito a derrota do time do Brasil pelo do Uruguai. As estações de rádio não alcançavam nossa cidade e acompanhávamos o campeonato do Rio, ouvindo Ary Barroso. O atraso na construção da Fonte Nova, só inaugurada em 1951, fez com que nenhuma partida fosse realizada em Salvador.

Clima de Copa do Mundo é sinônimo de mobilização máxima, quando queremos festejar alguma coisa com toda animação, ou realizarmos algo com grande participação popular. O Brasil é chamado o País do Futebol não só por termos aqui os melhores craques do mundo, mas também por ser o único país a ter vencido a Copa cinco vezes. Também o único país do mundo a ter perdido duas Copas em casa. O verde e amarelo cobre todos os cantos, nas ruas, nos clubes, nas praças, nos lugares de encontro de amigos. Todos juntos, de um mesmo lado. Vale a pena participar da festa, da alegria, da beleza do futebol, o esporte das multidões. O tempo passa voando e a Copa se combina com os festejos juninos, é comemorada também com muitos fogos.

Coincidentemente temos, nos anos de Copa, eleições para presidente da República, governadores dos Estados e Distrito Federal, e deputados estaduais e federais. O tempo passa rápido também, mas sem a mesma empolgação. A propaganda eleitoral no rádio e na televisão não exerce a mesma atenção e os brasileiros, ao contrário da união proporcionada pela Copa, são divididos pelos candidatos e diferentes partidos políticos. Comícios, passeatas, carreatas, motociatas, diversas manifestações, tudo ao som de jingles e muita festa. É tempo de se ouvir promessas, críticas, acusações e de se acompanhar os resultados das pesquisas eleitorais. A mobilização não é igual a da Copa do Mundo, menos intensa e dividida, mas faz o tempo passar rápido, com menos entusiasmo. Se na Copa do Mundo temos marchinhas de carnaval e algumas músicas mobilizadoras, nas eleições temos músicas novas e paródias procurando ressaltar a qualidades e defeitos dos candidatos.

O que não muda, nem na Copa do Mundo nem nas eleições, são as condições de vida dos brasileiros. A economia fica um pouco de lado e as amarguras da vida são amenizadas com promessas e esperanças. Por aqui continuamos em paz e menos atentamente acompanhamos o mundo ser destruído com as guerras que não acabam mais e movimentam a indústria militarista de armas e munições. Sempre aparece um figurão que acha que pode falar mais alto que os outros, sempre há alguém que discorda e reage e acabam promovendo bestialidades com muitas mortes e dor. Se no Brasil ainda não encontramos meios eficazes para nossa sustentabilidade e redução das diferenças, temos um consolo de sermos mais alegres, mais pacíficos e de, em qualquer circunstância, torcemos pelo Brasil na Copa do Mundo.

Tudo isso, e muito mais, faz com que o Brasil seja um país diferente. Não que deixe de existir a resistente pobreza, que os desníveis sociais continuem durando muito e que, infelizmente, a tendência de assim permanecer continue firme e forte. Só nos resta esperar que as rezas para nossos padroeiros surtam efeito e possamos celebrar nossas festas e comemorar nossos carnavais na esperança de que um dia as coisas melhorem para sempre.

Escrevo este artigo abordando coisas diferente das que meus leitores estão acostumados a ler, para mostrar que também sou humano e tenho direito de escrever sobre coisas alegres, que fazem o tempo passar mais depressa, não só explanando sobre economia, química, petroquímica e desenvolvimento econômico, essenciais também para a nossa existência. A Copa do Mundo está perto, as eleições estão chegando e é tempo de nos reunirmos com muitos amigos para celebrarmos a vida, torcendo pelo nosso time e acreditando em tudo que dizem nossos candidatos.

Adary Oliveira é engenheiro químico e professor (Dr.)

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