O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia entra em vigor de forma provisória a partir desta sexta-feira (1º), marcando um passo histórico nas relações comerciais entre os dois blocos. A medida foi oficializada após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar o decreto que promulga o tratado no Brasil.
O pacto prevê a redução gradual de tarifas de importação. Pelo cronograma, os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — vão eliminar tarifas sobre 91% dos produtos europeus em até 15 anos. Já a União Europeia deve zerar tarifas para 95% das exportações sul-americanas em um prazo de até 12 anos.
Com a implementação, será formada uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, reunindo 31 países e cerca de 720 milhões de pessoas. O bloco econômico combinado representa um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em aproximadamente US$ 22 trilhões.
Apesar do avanço, o acordo segue cercado de divergências dentro da Europa. Países como Alemanha e Espanha defendem que o tratado pode ampliar mercados e reduzir a dependência de insumos estratégicos vindos da China, além de amenizar impactos de políticas comerciais adotadas durante o governo de Donald Trump nos Estados Unidos.
Por outro lado, França e outros críticos demonstram preocupação com possíveis prejuízos ao setor agrícola europeu, especialmente diante da entrada de produtos como carne bovina e açúcar a preços mais competitivos. Organizações ambientais também alertam para o risco de aumento do desmatamento em regiões tropicais.
Especialistas avaliam que, embora o acordo tenha potencial para ampliar o comércio entre os blocos, os ganhos econômicos tendem a ser graduais e podem não compensar integralmente perdas recentes no comércio global.