

Parece até loucura dizer que o Vitória jogou bem se olharmos o placar. Para o Leão, faltou lembrar que o jogo só termina quando acaba. Começou fazendo o primeiro, equilibrou o duelo contra o Athletico-PR durante quase 90 minutos, mas resolveu bugar no fim. O castigo veio a galope: levou dois no final e amargou uma derrota frustrante. Frustração principalmente no dia do goleiro em que Lucas Arcanjo operou milagre e merecia um pedido de desculpas a cada um do elenco que deixou um melhor resultado escapar das mãos no apagar das luzes. Mas também é preciso dizer: novamente a arbitragem prejudicou o representante baiano de maneira absurda
Merece um abre aspas: se tornou um carma para o Vitória atuar nas competições nacionais. Pelo segundo jogo seguido, o Leão jogou não apenas contra o adversário, mas contra a arbitragem também. Diante do Athletico-PR, o elenco do técnico Jair Ventura novamente jogou bem, mas acabou travado por decisões, ou melhor, vistas grossas do árbitro no embate. O jogo poderia ser um destino diferente. Além do primeiro gol do Furacão ser, no mínimo, duvidoso, novamente o elenco rubro-negro sofreu duras faltas que não resultaram a sequer uma expulsão.
O próximo jogo do Leão no Brasileirão será outro representante paranaense. No sábado, o encontro será contra o Coritiba, no Barradão, às 18h30. Antes, porém, os baianos visitarão o Confiança, na próxima quarta-feira, pela Copa do Nordeste, às 21h30.
O Vitória mostrou vontade até quando não podia. Logo no início do jogo, o juiz precisou voltar a saída de bola, pois os atletas do Leão invadiram o campo adversário antes mesmo do primeiro toque na bola. Lampejos de empolgação de um time que, a cada rodada, parece aprender a jogar fora de casa. Nem afobação, tampouco medo. Jogando contra Athletico-PR, o Leão decidiu cozinhar o confronto. Não estava melhor, mas conseguia segurar o jogo, aguardando uma oportunidade de ouro. Isso fez o duelo esfriar e não ter nada de bom até os 17 minutos, com uma cabeçada de Zé Vitor.
Contudo, jogar com paciência deu resultados. Aos 21 minutos, o Vitória abriu o placar, com um belo passe do goleiro Lucas Arcanjo. O camisa 1 fez um lançamento primoroso para Renê, que trocou passe com Matheuzinho e fez um golaço, o seu primeiro no Brasileirão vestindo a camisa do Vitória. Seus quatro gols foram pelo Nordestão. Com o placar na frente, aquele banho maria caiu por terra. O time recuou, trouxe o Furacão para o campo defensivo e a pressão começou a tomar conta.
Numa jogada sem tanto perigo, Cacá subiu, trombou no atleta do Athletico dentro da área, aos 30 minutos. O juiz entendeu que foi falta, mesmo em lance que ele poderia ver no VAR, assim como um possível impedimento no lance anterior. Não teve conversa. Ele marcou a penalidade, mesmo sem a marcação das linhas ou revendo o lance da suposta falta. A TV que transmitia a partida também não repetiu o lance para comprovar.
O jogo seguiu, Viveros bateu no canto esquerdo, Arcanjo ainda foi no canto certo, mas sem sucesso. O empate estava sacramentado num momento em que, apesar do Furacão pressionar, não estava levando tanto perigo.
O duelo se manteve com o time paranaense buscando a virada, enquanto o Vitória tentava se recompor para voltar ao jogo. Nem o Furacão virou, tampouco o rubro-negro baiano conseguiu nivelar o duelo. O apito para o intervalo acabou sendo uma vantagem para o time de Jair Ventura, justamente para ouvir o comandante e tentar retornar para o segundo tempo com a mesma postura que teve antes da igualdade no placar.
O segundo tempo começou com Lucas Arcanjo operando milagres com duas defesas que impediram a virada dos mandantes. Depois dos sustos, o Vitória retomou as rédeas e voltou a arriscar. Depois dos 10 minutos, até criou mais que o próprio Furacão. Martinez e Renê quase marcaram. Quando não era as tentativas ofensivas, Lucas Arcanjo já mostrava que merecia uma estátua no Barradão. Defendia até com o rosto, com a mão, com o pé, fazendo jus pelo dia do goleiro.
Com o jogo equilibrado, ficou lá e cá. Aos 20 minutos, mais uma vez a arbitragem prejudicou o Leão. Arthur Dias aplicou um carrinho criminoso em Renê, em chance clara de gol, mas ficou apenas com o amarelo. Na falta, Ronald jogou para fora. Com um a menos, por conta do atendimento do atleta rubro-negro, o Athletico aproveitou um contra-ataque, mas se esbarrou novamente em Arcanjo.
O jogo parecia caminhar para um bom empate, mas o Vitória decidiu parar de jogar antes do apito final. Aos 46 minutos, Viveros decretou a virada. Aos 52, Luiz Gustavo tampou o caixão.
foto= Crédito: Victor Ferreira