
Entre os encaminhamentos aprovados por moradores, entidades envolvidas com a organização do Carnaval no circuito Barra-Ondina e órgãos públicos, durante a audiência pública promovida na noite de quinta-feira (16) pela Frente Parlamentar em Defesa do Carnaval, da Câmara Municipal, no Clube Espanhol, o principal foi a apresentação de um projeto de indicação do colegiado, ao Executivo, sugerindo a instituição de um Comitê Interinstitucional Permanente para definir as mudanças necessárias e soluções para disciplinar a festa no Circuito Dodô. A proposta foi iniciativa conjunta das vereadoras Aladilce Souza (PCdoB), que solicitou e dirigiu o debate, e Marta Rodrigues (PT). E que nova audiência seja realizada já pela estrutura proposta, em no máximo dois meses.
O presidente da Associação de Moradores e Amigos da Barra, Waltson Campos, leu e entregou aos vereadores presentes um manifesto de sete páginas contendo um diagnóstico sobre os impactos da folia na rotina do bairro e uma série de recomendações para melhorar a qualidade de vida dos moradores e trabalhadores da região.
No documento intitulado “Por um Carnaval de tradição e sustentabilidade”, a Amabarra deixa claro: “Nossa participação na audiência pública não é para pedir o fim da festa, mas para exigir que o Carnaval respeite os limites do nosso bairro. Não aceitaremos mais ser tratados como um cenário descartável. Nosso foco é a readequação do Circuito Dodô para um modelo sustentável que garanta a segurança de todos. A Amabarra defende um reordenamento do Carnaval no Circuito Dodô focado na capacidade de carga, propondo a transição para um modelo com trios menores, blocos de fanfarras e redução do impacto logístico para proteger o patrimônio histórico e a qualidade de vida local. As demandas incluem a participação deliberativa das associações de moradores no COMCAR, mitigação de impactos físicos, como a poluição sonora, ambiental e visual, e a instituição de contrapartidas fiscais, como o ´Fator Carnaval´ no IPTU”.
Comércio ou Boca do Rio
Com o tema “Carnaval de Salvador: mudanças necessárias no circuito Barra-Ondina”, a audiência foi considerada pelo vereador Maurício Trindade (PP), titular da Frente Parlamentar, como “produtiva e representativa”, por contar com representação da comunidade local e de órgãos públicos, municipais e estaduais. Ele defendeu que os trios elétricos e grandes atrações sejam transferidos para o Comércio ou o trecho da orla onde já acontece o Festival da Virada, na Boca do Rio.
O vereador Randerson Leal (Podemos), líder da bancada da oposição, também participou do debate. O público, que teve a oportunidade de se expressar por meio de vários pronunciamentos, traduziu a divisão existente nos bairros em relação à permanência do atual modelo ou a transferência da festa para outras áreas da cidade.
A mesa da audiência contou com as presenças do promotor Artur de Almeida, coordenador do Plantão do Ministério Público no Carnaval; Heloísa Cabral, do Conselho de Segurança do Rio Vermelho e Ondina; Márcia Cardim, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur); capitão Bruno Menezes, representando o major Pestana Guerreiro, da 10ª Companhia da Polícia Militar; Jackson Raimundo, da Guarda Civil Municipal; Pedro Costa, do Conselho do Carnaval; Rafael Manga, representante da Secult; e Eduardo Soledade, da Semop.
Crime ambiental
“Nosso objetivo foi plenamente atendido, ouvir os moradores e quem faz o Carnaval acontecer neste circuito. A hora é agora, não podemos esperar chegar perto para tentar interferir na dinâmica do próximo Carnaval, visando sanar ou pelo menos amenizar os impactos negativos na rotina dos bairros, que são residenciais e onde moram muitos idosos. Impactos esses agravados com o alongamento do período da festa e pela demora na montagem e desmontagem das estruturas dos camarotes, o que afeta a mobilidade e a qualidade de vida na região”, concluiu Aladilce.
O Conselho Comunitário de Segurança (Conseg Barra, Graça e Vitória) levou um banner defendendo: “Chega de impactos socioambientais e degradação do Parque Marinho, patrimônio histórico e cultural”. Moradores de Ondina também reivindicaram o “direito de ir e vir” não só nos dias de festa, mas também no pré e pós-folia, como destacou Mônica Marques. Segundo ela, até o acesso à praia é dificultado durante todo o verão, devido à montagem e desmontagem de camarotes: “O que acontece aqui na Praça de Ondina envolve crime ambiental e patrimonial”.



