

O mês de abril é dedicado à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e reforça a importância do diagnóstico precoce, do acesso a serviços especializados e da inclusão. “O Abril Azul é um convite à reflexão e à informação. A campanha busca combater o preconceito, incentivar o diagnóstico, inclusive em adultos, e promover uma sociedade mais inclusiva para pessoas no espectro autista e suas famílias”, afirma Leidson Teixeira, médico e coordenador do curso de Medicina da Ages, integrante da Inspirali, ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico de 2022, apontam que cerca de 2,4 milhões de brasileiros possuem diagnóstico de autismo, o equivalente a aproximadamente 1,2% da população. É a primeira vez que o país dispõe de um retrato oficial da condição, o que representa um avanço importante para a formulação de políticas públicas. Outro recorte do censo aponta que a prevalência é maior entre os homens (1,5%) do que entre as mulheres (0,9%): 1,4 milhões de homens e 1,0 milhão de mulheres foram diagnosticados com autismo por algum profissional de saúde. Entre os grupos etários, o de maior prevalência foi o de 5 a 9 anos (2,6%).
De acordo com o Censo Escolar 2024, o número de estudantes com transtorno do espectro autista (TEA) na educação básica saltou de 636.202 para 918.877 entre 2023 e 2024. As matrículas revelaram o aumento de 44,4%, nesse período.
Número mais expressivo de casos ou de diagnósticos?
Especialistas destacam que o crescimento dos casos não significa, necessariamente, que o autismo esteja mais frequente, mas sim que há maior conscientização, ampliação dos critérios diagnósticos e melhor acesso aos serviços de saúde. Ainda assim, os números podem estar subestimados, especialmente entre adultos.
Embora a “descoberta” seja mais comum na infância, amplia o grupo de pessoas que chegam à vida adulta sem o reconhecimento dessa condição. Ainda de acordo com o censo do IBGE, fora das faixas etárias mais jovens, a prevalência registrada varia entre 0,8% e 1%, o que pode refletir subnotificação e dificuldade de identificação tardia. Muitos adultos só descobrem estar no espectro após anos lidando com desafios sociais, profissionais e emocionais sem uma explicação clara.
“Hoje sabemos que muitos adultos foram negligenciados no passado, quando o conhecimento sobre o autismo era mais limitado. O avanço dos critérios diagnósticos e o olhar mais atento para sinais sutis têm permitido identificar esses casos, especialmente em pessoas que desenvolveram estratégias de adaptação ao longo da vida”, explica.
Complexidade do diagnóstico
Outro ponto importante é que o diagnóstico em adultos pode ser mais complexo, já que as características podem ser confundidas com outras condições, como ansiedade e depressão. Por isso, o Abril Azul também reforça a necessidade de capacitação dos profissionais de saúde para reconhecer o autismo em todas as fases.
“Muitos adultos passam anos sem diagnóstico porque os sinais são interpretados de outras formas ou acabam sendo mascarados ao longo da vida. Isso torna o processo mais desafiador e exige um olhar mais atento e qualificado dos profissionais”, reforça o coordenador de Medicina da Ages/Inspirali, Leidson Teixeira.
Além desse alerta, a campanha destaca a importância da inclusão social e do respeito à neurodiversidade. Pessoas com autismo têm diferentes níveis de suporte e potencialidades, e políticas públicas devem considerar essa diversidade para garantir acesso à educação, ao trabalho e à qualidade de vida.
Divulgação Ages – Freepik



