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MATERNIDADE TARDIA IMPULSIONA TÉCNICAS DE PRESERVAÇÃO DA FERTILIDADE NO BRASIL

João Paulo - 15/04/2026 09:21

A decisão de ter filhos tem acontecido cada vez mais tarde entre as brasileiras, um movimento que reflete transformações profundas no comportamento social e no papel da mulher contemporânea. Priorizar a formação acadêmica, consolidar a carreira e alcançar maior estabilidade financeira antes da maternidade deixou de ser exceção para se tornar tendência. Nesse cenário, cresce também a busca por alternativas que permitam alinhar o tempo biológico aos projetos de vida, como o congelamento de óvulos. De acordo com a Diretora Médica do IVI Salvador, Dra. Genevieve Coelho, a maternidade passou a ser encarada de forma mais planejada e estratégica. “Hoje, as mulheres estruturam melhor esse momento. Recursos como o congelamento de óvulos permitem preservar a fertilidade e ampliar as possibilidades de gravidez no futuro, oferecendo mais autonomia para conciliar projetos pessoais e profissionais com o desejo da maternidade”, afirma.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de gestações após os 35 anos vem crescendo no Brasil ao longo dos últimos 12 anos, acompanhando mudanças no perfil reprodutivo da população. Esse adiamento é mais frequente entre mulheres com maior nível de escolaridade e inserção no mercado de trabalho, evidenciando uma maternidade cada vez mais consciente — mas que exige atenção aos limites biológicos. Isso porque a fertilidade feminina sofre um declínio natural com o passar dos anos, especialmente a partir dos 35, quando há redução progressiva na quantidade e na qualidade dos óvulos. Nesse contexto, o congelamento surge como uma ferramenta importante de preservação. “O ideal é que o procedimento seja realizado em idade mais jovem, preferencialmente antes dos 35 anos, quando os óvulos apresentam melhor qualidade, aumentando as chances de uma gestação futura”, explica a especialista.

O congelamento de óvulos é um procedimento realizado a partir da estimulação dos ovários, com o uso de medicações hormonais, para que múltiplos óvulos amadureçam no mesmo ciclo. Em seguida, esses óvulos são coletados por meio de um procedimento minimamente invasivo e armazenados em temperaturas ultrabaixas, onde podem permanecer preservados por tempo indeterminado. A técnica é indicada para mulheres que desejam adiar a maternidade por motivos pessoais ou profissionais, além daquelas que desejam se antecipar a possíveis perdas de fertilidade ao longo do tempo.

A procura crescente pela técnica também se reflete nos números. Somente em 2024, foram congelados 151,6 mil óvulos no Brasil, segundo dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio). Desse total, 57,1% pertenciam a mulheres com 35 anos ou mais — um indicativo de que muitas ainda chegam ao procedimento em uma fase em que a fertilidade já começa a declinar, reforçando a importância da informação e do planejamento precoce.

Diante desse cenário, o congelamento de óvulos se consolida como uma ferramenta que amplia as possibilidades da maternidade contemporânea, sem desconsiderar os limites biológicos. Mais do que adiar decisões, trata-se de oferecer informação, autonomia e planejamento para que cada mulher possa escolher o melhor momento para engravidar. “Com os avanços da reprodução assistida e a mudança no comportamento reprodutivo feminino, a maternidade passa a ser cada vez mais uma decisão consciente e alinhada aos diferentes momentos da vida”, conclui a diretora do IVI Salvador.

O procedimento também pode ser indicado em situações específicas de saúde, como antes de tratamentos que possam comprometer a fertilidade, ampliando as possibilidades reprodutivas no futuro.

Sobre o IVI – RMANJ

IVI nasceu em 1990 como a primeira instituição médica na Espanha especializada inteiramente em reprodução humana. Atualmente são em torno de 190 clínicas em 15 países e 7 centros de pesquisa em todo o mundo, sendo líder em Medicina Reprodutiva e o maior grupo de reprodução humana do mundo.

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