

A pressão do bolsonarismo sobre ACM Neto subiu de tom na Bahia e expôs novas fissuras na oposição. A médica Raíssa Soares, ligada ao PL, desmentiu publicamente o prefeito Bruno Reis, que havia afirmado manter conversas constantes com ela e com outros quadros do partido. Na sequência, o grupo bolsonarista passou a acusar o ex-prefeito de desonrar o acordo político que sustentaria uma aliança com a direita baiana.
Raíssa negou a interlocução frequente mencionada por Bruno Reis e deixou um recado direto ao ex-prefeito: se quer o apoio da direita, ACM Neto precisa declarar publicamente apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. A fala tirou o impasse dos bastidores e transformou em cobrança aberta um incômodo que já crescia dentro do campo oposicionista.
O desgaste aumentou porque a entrevista de ACM Neto a uma rádio de grande audiência na capital e no interior do estado reforçou, entre bolsonaristas, a percepção de que ele tenta preservar espaço político sem assumir com clareza o compromisso exigido por esse grupo. A irritação se agravou com o entendimento de que, enquanto o PL cobra fidelidade ao projeto nacional do bolsonarismo, Neto mantém acenos a outro campo da direita.
Nesse ambiente, o deputado estadual Diego Castro endureceu a crítica. Disse que não se surpreendeu com a indefinição do ex-prefeito e afirmou que já esperava que ele não declarasse apoio ao nome do PL para a Presidência. Para os bolsonaristas, o problema já não é apenas eleitoral. Passou a ser também de coerência política e de confiança entre aliados.
A crise atinge em cheio os esforços de Neto e Bruno para vender a imagem de uma oposição unificada rumo a 2026. O que emergiu, por enquanto, foi o contrário: desmentido público, cobrança explícita e disputa pelo comando político da direita baiana. O recado dado por esse grupo é claro: o apoio não virá sem alinhamento.



