quinta, 09 de abril de 2026
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DEPOIMENTO DE GALÍPOLO À CPI DO CRIME ORGANIZADO SOBRE CASO MASTER IRRITA O PLANALTO

João Paulo - 09/04/2026 07:40 - Atualizado 09/04/2026

Integrantes do governo manifestaram nos bastidores irritação com o fato de o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, não ter apontado responsabilidade de seu antecessor, Roberto Campos Neto, no escândalo do Banco Master, durante depoimento à CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira.

A ida de Galípolo à comissão foi debatida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com auxiliares. A avaliação na conversa foi que valeria Galípolo atender ao convite da CPI para depor se fosse para falar de Campos Neto.

Desta vez, o requerimento convocando Campos Neto foi feito pelo relator da comissão, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE)

O Planalto e o PT têm propagado que o escândalo Master é resultado da falta de ação do chefe da autoridade monetária indicado para o cargo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mas ao ser perguntado nesta quarta-feira sobre a responsabilidade do antecessor, Galípolo respondeu: “Não há nenhum processo de auditoria ou sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos Neto.”

Em outro momento, o presidente da CPI, o petista Fabiano Contarato (ES), insistiu se Galípolo tinha algum conhecimento de que Campos Neto tenha atuado para evitar a liquidação ou intervenção no Master ao longo de 2024.

Você sabia disso

A postura de Galípolo de não endossar as acusações do governo contra Campos Neto se somam a um descontentamento no Planalto com o presidente do Banco Central em razão da demora da instituição de iniciar a redução da taxa de juros.

Lula, apesar de evitar criticar publicamente o chefe da autoridade monetária que indicou para o cargo no fim de 2024, tem manifestado nos bastidores decepção com o seu escolhido. Em junho de 2024, antes de anunciar que o indicaria para comandar o BC, o presidente chegou a se referir a Galípolo como “menino de ouro”.

Havia uma expectativa que após Galípolo assumir a presidência do Banco Central em janeiro de 2025, tivesse início a redução da Selic. Mas isso só aconteceu em março deste ano, quando o Comitê de Política Monetária cortou a taxa em 0,25 ponto percentual para 14,75%.

(Infomoney)

REUTERS/Adriano Machado

 

Agência O Globo

 

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