terça, 07 de abril de 2026
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ESTREIA SEXTA-FEIRA (10) ESPETÁCULO SOBRE DIVERSIDADE NO SESI RIO VERMELHO

João Paulo - 07/04/2026 12:18

Estreia nesta sexta-feira (10), no Teatro SESI Rio Vermelho, uma comédia musical delicada e bem-humorada que trata sobre vivências de crianças LGBTQIAPN+. Ainda que a infância seja um território de descoberta, imaginação e acolhimento, para crianças que fogem aos padrões da sociedade, ela também pode ser marcada por silêncios, preconceitos e dores difíceis de nomear. É desse lugar sensível que nasceu “Além do arco-íris”, em cartaz até 26 de abril. Os ingressos estão disponíveis no Sympla. Classificação: 14 anos.

O convite é para relembrar memórias afetivas e abrir espaço para que jovens e adultos que foram crianças LGBTQIAPN+ possam se ver, se entender e existir com liberdade. Com sessões sempre de sexta-feira a domingo, às 20h, e sessão especial aos sábados às 17h, o espetáculo se desenrola no quarto do pequeno Mike, onde a imaginação se torna refúgio diante de uma realidade atravessada por pressões sociais.

Referências nostálgicas a programas como o da Xuxa, trilhas sonoras e recursos de videomapping irão ajudar a recriar a atmosfera de diferentes épocas, dos anos 50 aos anos 2000, transformando o protagonista no apresentador de seu próprio programa de TV, no qual suas memórias e vivências ganham forma de atrações.

Riso e ridicularização – Para o ator Marcos Barretto, interpretar Mike representa um grande mergulho em memórias pessoais. Ao revisitar sua infância nos anos 90, ele reconhece tanto as dores vividas quanto a responsabilidade de transformá-las em arte. “Na minha época, quando existiam pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ em espaços de visibilidade, elas eram colocadas no lugar do riso e da ridicularização. Hoje, um menino gay que se percebe como tal tem referências que validam sua existência, e isso faz toda a diferença”, comenta.

Marcos reforça que o espetáculo leva a uma viagem no tempo e para dentro de nós mesmos, numa reconexão com a nossa criança interior. “Além do arco-Íris vai ajudar muitas pessoas a fazerem as pazes com seu passado e, principalmente, com pessoas importantes de suas vidas, que muitas vezes são as causadoras dessas dores. Na peça, por exemplo, há uma mãe que não compreende o filho ser um menino feminino e, com a intenção de proteger, acaba ferindo. E eu acho que muitas famílias fizeram isso. Então, é realmente uma responsabilidade enorme virar essa referência”, pontua.

Na visão do ator, o espetáculo surge como um espaço de acolhimento e transformação. “A gente ainda tem um longo caminho pela frente, mas já avançou muito. Poder olhar para essa história e ressignificá-la é também uma forma de contribuir para uma sociedade mais aberta, onde cada pessoa possa ser aceita como é”, completa.

Montanha-russa emocional – O público pode esperar uma reflexão divertida, colorida e repleta de aprendizados, que conduz a uma verdadeira imersão nas próprias memórias, como uma montanha-russa emocional que percorre altos, baixos e curvas. A peça busca transformar percepções e tocar profundamente o coração de quem assiste, ao mesmo tempo em que amplia o debate sobre as questões da comunidade LGBTQIAPN+.

O autor e diretor Cláudio Simões conta que a escolha das canções foi pensada para todas as gerações do público conseguirem revisitar sua infância em algum momento do espetáculo. Ele cita Pablo Neruda: “O menino que não brinca não é menino, mas o homem que não brinca perdeu para sempre o menino que vivia nele e que lhe fará muita falta”.

A proposta é incentivar não apenas o reconhecimento e o acolhimento, mas também a responsabilidade coletiva no enfrentamento à homofobia, ao provocar uma reflexão sobre respeito,…

Fotos: Caio Lírio

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