sábado, 23 de maio de 2026
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BCE DEVE ESTAR PRONTO PARA SUBIR JUROS ANTE RISCO DE INFLAÇÃO, DIZ MEMBRO DO BANCO

João - 07/04/2026 12:59

As expectativas de ⁠inflação da zona do euro correm o risco de ⁠aumentar mais rapidamente do que no passado e o Banco Central Europeu (BCE) deve ‌estar pronto para aumentar as taxas de juros rapidamente se surgirem sinais de pressões persistentes sobre os preços, disse o integrante do BCE, Dimitar Radev.

O aumento dos custos ‌de energia provocado pela guerra do Irã já elevou a inflação bem acima da meta de 2% do BCE, e os membros da autoridade monetária da zona do euro estão agora debatendo se devem apertar a política monetária para evitar que esse aumento se incorpore ao preço de outros bens e serviços, desencadeando uma espiral de preços que se reforça ⁠automaticamente.

‘O ‌equilíbrio dos riscos mudou em uma direção desfavorável’, disse Radev, presidente do banco central ⁠da Bulgária e um dos mais novos membros do Conselho do BCE, em uma entrevista à Reuters.

Presidente do BC fez apresentação em evento na sede da FGV nesta segunda-feira, no Rio. Segundo ele, é necessário manter serenidade para ‘entender melhor’ o cenário e tomar decisões ‘mais seguras’

‘Embora a linha de base continue a ser nossa referência, a probabilidade de um cenário mais adverso aumentou, particularmente à luz do choque de energia e do elevado nível de incerteza’, disse ele, referindo-se aos três cenários econômicos — ​adverso, linha de base e severo — delineados pelo BCE no mês passado.

Um dos principais riscos é que os consumidores e as empresas, que experimentaram preços descontrolados há ​apenas quatro anos, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, possam ajustar rapidamente suas próprias expectativas, exigindo preços e salários mais altos e desencadeando uma espiral de inflação, que depois se mostrará custosa para ser extinta.

‘A evolução recente da inflação parece ter aumentado a capacidade de resposta das expectativas, o que significa que a repercussão de ‌novos choques pode ocorrer mais rapidamente do que em condições ​normais’, disse Radev.

Seus comentários ecoam as advertências de uma série de outros integrantes do BCE que pararam de pedir explicitamente aumentos nas taxas, mas disseram que o banco central precisa estar pronto para apertar o ⁠gatilho.

Por enquanto, as expectativas de ​inflação estão se mantendo ​na meta do BCE e os efeitos de segunda rodada da inflação não são visíveis em dados como a ⁠leitura da inflação de março, que mostrou um ​salto na energia, mas sinalizou uma desaceleração das pressões sobre os preços dos serviços.Porém, o BCE não pode dar como certo um resultado tão benigno porque o ambiente é frágil e propenso ​a mudanças rápidas, disse Radev. ‘Se o choque persistir e começar a afetar os salários, as margens e as expectativas, o custo da inação aumentará’, disse ​ele. ‘Em uma situação como ⁠essa, agir em tempo hábil seria a atitude mais prudente.’

Esse risco é um dos principais motivos pelos quais os ⁠mercados financeiros precificaram mais de dois aumentos na taxa de juros do BCE este ano, sendo que o primeiro está previsto para junho. Radev disse que é muito cedo para dizer se o BCE terá dados suficientes até a reunião de 30 de abril para tomar uma decisão, mas que teria dados suficientes para permitir uma discussão de política monetária mais concreta e ​estruturada.

REUTERS/Stoyan Nenov

(Infomoney)

 

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